Todos os dias peço a Deus a serenidade necessária para não libertar meus monstros interiores quando o outro, pela sua falta de entendimento de si mesmo, resolve a mim entregar seu lodo.
Não é fácil, nunca foi. Algumas vezes, os lobos da ignorância e do despreparo gritaram por mim. Algumas vezes, eu deixei alimentar o meu pior lado.
Mas, pouco a pouco, dia após dia, eu venho escolhendo ter paz. Eu escolho o auto controle, a leveza de me calar, o prazer de saber quem eu sou e que eu domino meu próprio eu.
Repito, não é fácil! São muitas respirada fundas, um puxar e soltar de ar até que o grito pronto pra sair, se cale. A razão muitas vezes é silenciosa.
Eu tenho amadurecido. Eu entendi que carroça vazia é que faz barulho. Eu nunca fui vazia. Eu sempre fui cheia. E não aceito ser menos que isso.
Não controlamos aos outros, às situações externas, mas podemos e devemos controlar a nós mesmos.
Domar nossos instintos, como se doma uma fera. Sim, ser uma pessoa melhor é escolha. É necessário, imprescindível. É pré requisito para ser ser humano.
Eu entendi que é melhor ter paz do que ter razão. Entendi que, às vezes, a razão também erra. Ouvir mais e falar cada vez menos. Ser gentil, mesmo quando o que recebo é ignorância. Entendi que a minha essência não pode mudar, independente das circunstâncias.
Que só damos, aquilo que temos.
Eu escolho ser melhor. Eu escolho dar o meu melhor. Eu escolho continuar fazendo, mesmo que o prêmio a receber seja a ingratidão.
Não é sobre o que fazem conosco ou sobre o que a vida nos entrega. É sobre como e o que decidimos fazer com o que nos fizeram ou com o que a vida nos deu.
É tudo sobre nós mesmos. Está tudo aqui dentro.
Priscila Calheiros