quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Estou no processo de mudança.

Estou no processo de mudança. Ainda encaixotando os objetos e os sentimentos. Nunca tive um endereço certo e muitas vezes morei em ruas sem saída, fora e dentro de mim. Mas agora, escolhi uma ruazinha que eu já estava de olho há um tempo, aquela central de fácil acesso. Escolhi essa quando percebi que as pessoas não me achavam em lugar algum e muitas vezes, até eu me perdia. Escolhi esse espaço quando descobri que eu tinha muitos cômodos num lugar onde eu morava só, mesmo quando acompanhada,e isso me incomodava um tanto. Na minha casa nova tem uma janela pra alma tão grande que sempre bate sol, e esse foi um dos pré requisitos que exigi quando percebi que onde moro precisa ter luz e que isso acontece sempre quando demoro mais dentro da minha essência. Lá também tem um jardim, uma horta, muitas plantas e um regador colorido pra que eu me lembre o quanto regar é preciso se quero colher o que me for mais saudável. Outra coisa curiosa é que lá eu não derrubei nenhuma parede, quis preservar a construção intacta e fiz uma analogia interior, lembrando de quantas paredes do meu coração já tirei pra alguém entrar, adaptando minha vida toda, pra esse alguém simplesmente, um tempo depois me deixar. E mexi com toda minha estrutura, guardei os quadros e as paisagens numa caixa, pra no fim das contas, me sobrar só. Falando em parede, outra decisão minha foi pintar as paredes de lá ( e as do peito) de cores mais neutras, tons pastéis. Caramba, quem diria! Justo eu que sempre senti em tudo tons vibrantes e pintava sempre com cores fortes, descobri, com tempo, o quanto a tranquilidade de um ambiente sossegado tem seu valor, assim também vale no amor. Na verdade, li numa revista de (de)coração que tons muitos vivos cansam e ai entendi o meu cansaço. Por isso, se eu jogar tons leves nas paredes e deixar a intensidade pros sentimentos acessórios, quando eu enjoar, posso facilmente renovar meu olhar. Pra mim faz mais sentido ( e tem mais sentimento). O fato é que agora me sinto confortável. Minhas fotos todas vão compor um mural de memórias na varanda e é lá que, de vez em quando, vou por os pensamentos pra quarar. O lugar é lindo, ventilado, é mais que um ninho e um teto, é um amanhã que me abraça e protege da chuva. O processo é lento, trabalhoso, mas por dentro, já faz um tempo, que sei bem a importância que existe em se mudar.
Na minha casa nova tem uma janela pra alma tão grande que sempre bate sol, e esse foi um dos pré requisitos que exigi quando percebi que onde moro precisa ter luz e que isso acontece sempre quando demoro mais dentro da minha essência. Lá também tem um jardim, uma horta, muitas plantas e um regador colorido pra que eu me lembre o quanto regar é preciso se quero colher o que me for mais saudável. Outra coisa curiosa é que lá eu não derrubei nenhuma parede, quis preservar a construção intacta e fiz uma analogia interior, lembrando de quantas paredes do meu coração já tirei pra alguém entrar, adaptando minha vida toda, pra esse alguém simplesmente, um tempo depois me deixar. E mexi com toda minha estrutura, guardei os quadros e as paisagens numa caixa, pra no fim das contas, me sobrar só. Falando em parede, outra decisão minha foi pintar as paredes de lá (e as do peito) de cores mais neutras, tons pastéis. Caramba, quem diria! Justo eu que sempre senti em tudo tons vibrantes e pintava sempre com cores fortes, descobri, com tempo, o quanto a tranquilidade de um ambiente sossegado tem seu valor, assim também vale no amor. Na verdade, li numa revista de (de)coração que tons muitos vivos cansam e ai entendi o meu cansaço. Por isso, se eu jogar tons leves nas paredes e deixar a intensidade pros sentimentos acessórios, quando eu enjoar, posso facilmente renovar meu olhar. Pra mim faz mais sentido (e tem mais sentimento). O fato é que agora me sinto confortável. Minhas fotos todas vão compor um mural de memórias na varanda e é lá que, de vez em quando, vou por os pensamentos pra quarar. O lugar é lindo, ventilado, é mais que um ninho e um teto, é um amanhã que me abraça e protege da chuva. O processo é lento, trabalhoso, mas por dentro, já faz um tempo, que sei bem a importância que existe em se mudar.

Lilian Vereza

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

[+] O amor impossível entre o Sol e a Lua.

Esses tempos estou tão desanimada que nada tá fluindo. Mas Segunda-feira, enquanto eu via a Lua linda ficar vermelha (eu vi laranja!), veio inspiração pra escrever. Vamos aproveitar então, pois está raro esse paranauê.
Pelo que li, outro fenômeno desse (Eclipse da Superlua) só daqui à 30 anos. Não entendo nada de Lua e planetas e sistema solar, além de que são redondos. E hoje não estou aqui para falar sobre a Via Láctea. Vou falar sobre o amor IMPOSSÍVEL entre o Sol e a Lua.
Como diz a música de Charlie Brown Jr., "me sinto muito bem quando vejo o pôr do Sol, só pra fazer nascer a Lua...". Pois bem, para a Lua aparecer o Sol tem que ir embora. Como namorar desse jeito?
Ele ilumina a Terra com toda sua magnitude, mas no fim do dia, se rende a Lua e a deixa brilhar. Que amor é esse que sai de cena para deixar o espetáco para o outro? Pra mim, não há caso de amor mais bonito.
Eles se amam, mas não podem ficar juntos. Se desejam, mas não podem se tocar. Se conquistam todos os fins do dia e se despedem a cada novo amanhecer. Mas desde que mundo é mundo, vivem esse amor impossível.
Muitos casais, na primeira briga, terminam. Estamos em tempos onde nada é para durar e esquecemos do valor de estar junto. De como é importante perseverar naquilo que de fato é importante. De que é tão bom ter alguém em quem recostar depois de um dia cansativo.
Achamos lindo os fenômenos lunares, os eclipses, nos maravilhamos com o espetáculo da natureza e nem percebemos que o Sol e a Lua se encontram de tempos em tempos, e aproveitam o máximo o pouco tempo que tem juntos. Eles se amam acima de nossos olhos, sem medo de se encaixarem. Dançam pelo céu estrelado, unidos por um amor incondicional. Se tornam um só e não estão com celulares nas mãos ou ocupados com outros seres celestes. Eles são e estão um para o outro! Eles se completam, se desnudam, se transbordam. Talvez até explodam depois do amor, como nós, humanos.
Enquanto contabilizamos os minutos, eles vivem os segundos como infinitos. Se entrelaçam na exuberância da Galáxia, como se só eles existissem. Aguardam minunciosamente pelo momento em que vão se encontrar, sem reclamar ou desistir, demore o tempo que demorar.
Eles não podem andar de mãos dadas, fazer amor todas as noites, ter filhos, passear no parque, almoçar juntos em Domingos com a família nem dormir de conchinha nas noites frias. Mas você pode tudo isso. E pode estar jogando a oportunidade da sua vida fora.
Tá esperando o que pra ir ser feliz? Tá esperando o quê pra dizer sim? Pra abraçá-la? Pra dizer o quanto o ama? Pra bater na porta dele e pedir perdão?
Que sejamos como o Sol e a Lua, que possamos viver num eterno eclipse. Que mesmo sem entender nada de Astronomia, aprendamos a contemplar a arte do encontro. Que o amor seja maior que a espera. Que eu seja a Lua que ilumina as noites dele, e ele, seja o Sol que aquece meus dias.
Priscila Calheiros
Fotos: Mary Bernardes