quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Pegadas na areia

Deus se mostra presente em minha vida a cada momento, e sempre usa desse texto para me consolar. Ele sempre me carrega no colo!



Pegadas na areia


Sonhei que caminhava na praia com o Senhor e via na tela do céu, todos os dias do meu passado.
E para cada dia percorrido, apareciam na areia, às pegadas de duas pessoas: as minhas e as do Senhor.
Mas, em alguns trechos, exatamente nos dias mais difíceis da minha vida, vi somente as pegadas de uma pessoa.
Então eu disse:
- Senhor, escolhi viver contigo, e tu me havias prometido que estarias sempre comigo. Por que me deixaste sozinho nos momentos mais difíceis?
E Ele me respondeu:
-Filho, você sabe que o amo e que jamais o abandonei. Nos dias em que, na areia, havia somente pegadas de uma pessoa, foram exatamente os dias em que, nos braços, carreguei você.

Florbela Espanca - Amiga *--*


Amiga – Florbela Espanca


Deixa-me ser a tua amiga, Amor.
A tua amiga só, já que não queres
Que pelo teu amor seja a melhor,
A mais triste de todas as mulheres.


Que só, de ti, me venha magoa e dor
O que me importa a mim?!
O que quiseres
É sempre um sonho bom! Seja o que for,
Bendito sejas tu por mo dizeres!


Beija-me as mãos Amor, devagarinho...
Como se os dois nascêssemos irmãos,
Aves cantando, ao sol, no mesmo ninho...


Beija-mas bem!... Que fantasia louca
Guardar assim, fechados, nestas mãos,
Os beijos que sonhei para minha boca!...

[x] Céu azul - Clarissa Corrêa


Céu azul


(...) Você me deixa vulnerável. E eu não gosto de me sentir assim. Mas eu gosto de gostar de você. E gosto da forma como você me fez gostar de você. E gosto de saber que você existe. E gosto de passar os dias existindo você.



Para todos os amores errados, pág. 43 – Clarissa Corrêa

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

[+] ... a verdade vos libertará!


Odeio mentiras. Por mais bobas que elas sejam, nunca acabam bem. Mesmo quando sou eu quem conta, porque sempre me ferro no fim das contas.
Mentira magoa quem conta, uma hora se torna insustentável, magoa quem foi enganado, se perde confiança, carinho, afeto, amizade. É algo que suga sua felicidade, convoca sua memória de tal maneira que te deixa desesperado pra lembrar como começou. E você vai se embolando, se perdendo e perdendo a coragem de desmentir, isso começa a te sufocar e uma hora a máscara cai.
Odeio que mintam pra mim. Sabe aquele lance de “me magoe com a verdade”? Pois é, quero sempre que me digam a verdade, por mais que doa. Sinceramente, eu minto pouco, porque quando isso acontece, penso logo que podem fazer o mesmo comigo. E a sensação não é nada boa!
No decorrer da vida aprendi que pra construir laços, é preciso primeiro se ter verdade. Verdade é o oposto de mentira, certo? Façamos por merecer. Que seja sempre a verdade, e “a verdade vos libertará”!


Priscila Calheiros

[+] Confissões de um ser pensante (Eu acho)


Eu costumo ler a última página do livro antes de começar a lê-lo.
Troco almoço por lanche. Sou viciada em roer unhas.
Choro assistindo filmes.
Mesmo sendo adulta, brinco de esconde-esconde com meus sobrinhos.
Odeio acordar cedo. Já quis morrer várias vezes.
Não consigo dormir antes de meia noite.
Eu falo sozinha. Vejo coisas no escuro.
Não falo palavrão na frente dos meus pais ou dos meus irmãos.
Se eu não tomar café, fico com dor de cabeça.
Não como coisas verdes, tipo alface, pepino, pimentão.
Não gosto de verduras. Tenho preguiça de ir fazer xixi.
Minha comida favorita é lasanha.
Fico enjoada com o cheiro do leite. Gosto de brincos espalhafatosos.
Gosto de dormir sozinha.
Tenho vergonha de falar de sexo com meus pais.
Quando sinto muito ódio me arranho com minhas próprias unhas.
Adoro salto alto. Queria ser mais baixa (altura).
Queria ser menos gorda. Já gastei compulsivamente.
Em geral, gosto que me chamem de Priscila, soa menos falso.
Quando estou triste, só escuto música depressiva.
Meu banho é o mais demorado do planeta.
Tenho preguiça de lavar o cabelo. Bebo mais que 2 litros de água por dia.
Não tenho mais forças nas mãos, graças ao vício do computador.
Odeio lavar, passar, cozinhar, varrer.
Odeio usar aparelho. Vejo desenhos nas nuvens.
Sei ignorar pessoas como ninguém.
Sou egoísta. Queria ser invisível.
Me entrego fácil nas relações. (E ME FERRO SEMPRE)
Só escuto música se for alta.
De vez em quando, planejo a morte de algumas pessoas.
To aqui 24 h pra ouvir meus amigos.
Estudo pra ser psicóloga, não pra ser adivinha.
ODEIO ESTUDAR. Odeio física.
Crio expectativas demais e (quase) sempre acabo frustrada.
Fico com vergonha quando recebo elogios.
Se eu pudesse nascer de novo, seria eu de novo.
Tenho muito medo de perder meus pais.
Sou teimosa, ciumenta, estressada e neurótica.
Sempre acho que o erro está em mim.
Sempre choro quando alguém briga comigo.
Acredito em Deus sobre todas as coisas.
Não costumo dar segundas chances.
Os móveis caminham até mim para me machucar.
Facas sempre me cortam.
Falo gesticulando, e vou derrubando tudo.
Fico gripada várias vezes durante o ano.
Confesso que admitir algumas coisas não é fácil.


Priscila Calheiros

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Que eu saiba ficar com o nada e mesmo assim me sentir como se estivesse plena de tudo. - Lispector



"...Que minha solidão me sirva de companhia.
Que eu tenha a coragem de me enfrentar.
Que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo."


Clarice Lispector

sábado, 17 de novembro de 2012

Se Tu Viesses Ver-me... - Florbela Espanca, in "Charneca em Flor"

Se Tu Viesses Ver-me...
 


Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços...

Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...

Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri

E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...

Florbela Espanca

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Marcas na alma - Livro: A vida por linhas certas - Legrand.


Marcas na alma



Dois amigos iam caminhando pelo deserto. A certa altura da viagem, começaram a discutir, e um amigo desferiu no outro uma bofetada.
Entristecido, mas sem dizer nada, o que havia recebido o golpe escreveu na areia:
“Meu melhor amigo deu-me uma bofetada.”
Seguiram caminhando até que encontraram um lindo lago, onde decidiram banhar-se.
O amigo que havia recebido a bofetada começou a se afogar. O outro, mais que depressa, correu ao seu encontro e o salvou.
Depois de se recuperar do susto, tomou uma pedra e nela escreveu:
“Meu melhor amigo hoje salvou-me a vida.”
O amigo, que antes o havia agredido e agora o salvara, exclamou:
- Quando te agredi, escrevestes na areia e agora escreves numa pedra! Por quê?
O outro amigo respondeu:
- Quando alguém nos machuca, devemos escrever na areia, onde os ventos do perdão poderão facilmente apagá-lo; mas, quando alguém nos faz algo de bom, devemos escrever em pedras para que ninguém possa apagá-lo.
Portanto, aprendamos a escrever na areia as nossas feridas e, em pedras, nossas alegrias.


Livro: A vida por linhas certas - Legrand

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

[x] Volta, e te traz de volta pra mim.


Às vezes dá vontade de pedir: volta! Vamos tentar de novo, tem tantos lugares que quero te mostrar, tantas maneiras eu tenho pra te amar. Volta, porque dentro de mim nada mudou, é você e vai ser sempre você que vai me tirar do chão. Volta porque esses beijos são meus, o seu desejo é meu e aquele olhar de que não quer esperar é meu também! Sim, são meus! Eu não permito que sejas de outra, já que você me acostumou a ser tomada em seus braços, abraçada por seus abraços e devorada pelo seu olhar.
Volta, porque a nossa história precisa continuar, tem parágrafos incompletos, conversas interminadas, corpos que não se tocaram.
Volta pro meu carinho, pros meus delírios, pras minhas vontades. Vem e traz de volta nossa necessidade de ficar juntos, traz nossas conversas de madrugada, nosso silêncio ensurdecedor, volta e traz o nosso mundo pra nós!
 Vem com aquele sorriso, com aquela vontade de ser feliz, com a carinha de cachorro molhado, com a segurança que só você me passa.
Me conquista de novo, refaz nosso amor, reveste nossa vida com flores, amores e esperança. Ainda dá tempo, ainda pode ser nosso. Vem e me diz que eu sou sua menina, que as noites sem mim foram as piores e que o mundo reserva lindas coisas pra nós.
Estou aqui, esperando seu carinho, sua amizade, seu companheirismo... Volta que eu serei para sempre sua e você será para sempre meu. Volta, e te traz de volta pra mim.


Priscila Calheiros

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Fim de tarde. - Clarissa Corrêa


Fim de tarde


Fim de tarde. Friozinho. Filme na televisão. Juro, fazia muito tempo que não pensava em você. Eu andava enganando a emoção. E juro que estava conseguindo. Estava orgulhosa de mim. Até esse bendito fim de tarde. Não, acho que foi o frio. Pensando bem, talvez tenha sido o filme. O que importa é que fui invadida por uma avalanche. O cara do filme tinha um sorriso igualzinho ao seu. Na realidade era parecido. Ninguém é igual a você. Você é único. E sem comparações. Perdoa pelo equívoco. Ele tinha um sorriso que lembrava o seu. Ficou melhor assim. Nesse minuto a avalanche me pegou. Que saudade de você! Será que dá pra voltar no tempo? Mais uma maluquice minha, não podemos voltar no tempo, sei disso. Mas eu queria. Eu quero. E não pode. Não foi o fim de tarde, nem o frio, nem o filme. Sou eu. Eu que tento me passar à perna. Fica mais fácil assim. Dá pra levar assim. É mais simples assim. Eu já disse que você é único? Vou repetir: ú-n-i-c-o. Ninguém chegou no lugar que você ocupou. E talvez ninguém chegue. Já valeu a pena por isso. Em todo caso, se der pra voltar no tempo, liga pra mim. 

Para todos os amores errados, pág. 51 – Clarissa Corrêa.