segunda-feira, 24 de julho de 2017

Agora, você está a sua própria sorte. Ponto pra mim!

"É difícil esperar por algo que talvez nunca aconteça, mas é muito mais difícil abrir mão quando isso é tudo o que você quer."


Não queria estar escrevendo sobre isso. Não mais. Sinto que é um assunto ao qual preciso colocar um ponto final, mas queria que fosse de outro jeito. Sem ter que falar, escrever ou algo que me fizesse lembrar. Lembrar o que? O quão tola eu consigo ser.
Sabe, dessa vez eu acreditei que pudesse dar certo. Acreditei mesmo. Procurei todas as formas de chegarmos a um acordo, uma maneira de ficarmos juntos. Engraçado, nosso ROMANCE sempre foi tão impossível, que eu sempre tinha que me anular ou me esforçar para fazer dar certo. Poderia ter poupado todo o sofrimento, né? Mas não, eu sempre continuava, voltava atrás, perdoava, recebia de volta, abraçava, amava, cuidava, va, va, va. Era muito amor por uma pessoa só! 
Eu tentei, disso tenho certeza. Acredito muito que quando queremos, corremos atrás. E eu corri. Cheguei a correr atrás de você, literalmente. Olha a que ponto cheguei. Se eu me arrependo? Com certeza! Não por ter lutado pela pessoa que eu amava, mas por você não ter valorizado isso.
Essa carta não é pra você ficar bravo comigo, não. É só pra dizer que te entendo. Entendo mesmo! Não deve ser fácil estar com uma mulher como eu. Imatura, louca, neurótica, chata, grossa, cheia de problemas e dificuldades, toda imperfeita. Te entendo, amigo, é muito difícil. Assim como entendo também, você não conseguir ficar com uma mulher linda, de caráter, independente, orgulhosa, inteligente, maravilhosa, fantástica como eu.
Deve ser complicado ter um furacão ao seu lado. Entendo você se acovardar diante disso, entendo você mais uma vez ir embora, entendo você não saber o que fazer com todo o amor que eu te dei e com a facilidade de me ter em suas mãos. E vamos combinar, ter pela primeira vez uma mulher de verdade deve ter sido incrível e assombroso ao mesmo tempo. Juro que entendo!
Mas queria que me entendesse também. O que eu faço com todo o amor que depositei em você? Você acha mesmo que devo ficar te esperando como na música de nosso querido Luan Santana, 10, 20, 30 anos? O que eu faria com meus sonhos e planos enquanto você vivia, curtia, pegava geral, e eu te esperava? Como eu procederia com todas as noites em que eu precisaria do seu corpo para abraçar o meu? Entende?  Tenho uma vida inteira pela frente, e preciso viver.
Não me leve a mal, mas tem milhares de caras que gostariam de estar no seu lugar. E eu deixei o lugar exclusivo pra você. Não consegue ver a sorte que teve? Achou o tesouro, querido! Mas, como você mesmo disse um dia, quem está acostumado com pingas baratas, não sabe dar valor a vinhos caros.
Eu respeito o seu "não querer meu amor", mas não vai poder reclamar do meu "enfim acabou". Dessa vez não foi apenas eu dando um basta, para minha surpresa você já estava pronto também. Porém, como nunca antes, veio me julgando, apontando o dedo e me culpando. Isso eu não entendo e nem aceito. Você sabe que te amei, que fiz por você o que nenhuma outra pessoa faria. Acho que nunca fiz tanto bem a mim quanto fiz a você. Sem querer falar do passado, mas já falando, em meio a tudo que você me fez sofrer, eu nunca desisti de nós. Eu sempre perdoava, sempre guardava o lugarzinho que era só seu. Hoje eu sei que não era o lugar do amor, mas sim, do sofrimento.
Eu construí castelos para você ser rei, pontes para sua carruagem passar, plantei árvores pra você construir seu ninho. E o que você me deu em agradecimento? Me colocou como gata borralheira limpando o chão e dormindo no porão sujo, me jogou no rio para a correnteza me levar e cortou todas as árvores pela raiz. Forte né? São apenas metáforas, mas bem reais.
Como bolinhas de papel que miramos no cesto de lixo, você jogou um a um dos meus sonhos, cada parte do sentimento que te dei. Isso, eu devo lhe dizer, foi bem cruel. Mas respeito. Não se deve aceitar um amor se não for recíproco, e me perdoe querido, mas acho que era isso que tentava me dizer desde o início, não é? Mas eu, tão apaixonada e iludida, insisti até o último momento em não ouvir. Perdoe-me. Teria poupado a nós dois.
Esses dias estava fazendo faxina no blog, faxina que comecei faz tempo, mas depois do meu texto tanto ter lhe ofendido, me empenhei mais nela. E sabe o que me dei conta? Apaguei mais de 2.000 postagens. E você tinha razão, eu escrevia muito “detonando” você. Não tinham muitas postagens sobre meu ex-namorado, mas de fato, sobre você foram incontáveis. Mas sabe por que eu te “detonava”, como você disse? Porque eu me importava. Porque eu não aceitava você não estar comigo. Porque eu não aceitava ter sido tão magoada pela pessoa que mais amei em minha vida. Eu “detonava” porque aquela era a forma que eu tinha de ter você, de continuar perto, mesmo você preferindo estar longe. Ah, meu garoto, você realmente não sabe nada sobre mim. Mas não se preocupe, as postagens lhe detonando já estão sendo devidamente apagadas. Vai ser como se nunca estivéssemos existido um na vida do outro. Eu prometo.
Dessa vez não doeu como das outras vezes, talvez por eu já estar esperando pelo óbvio. Até as músicas de nossos queridos Sam Alves e Luan Santana, não fizeram mais tanto estraçalho como das outras vezes. Apenas When I was your man, de nosso best Bruno Mars, tem feito bastante sentido. Mas isso, você só perceberá mais lá para frente. Então, meu caro, continue sem culpa. As músicas são só músicas, não mais “nossas” ou hinos de dor e martírio para mim.
Queria lhe dizer também que me culpo por não ter sido tão pilantra como esses tipinhos que você está acostumado. Desculpa por não ter estado com vários enquanto estava com você, por não ter sugado seu dinheiro, por não ter sido baixa, desleal, sem escrúpulos, por não ter jogado um filho nas suas costas pra ferrar contigo. Me perdoa por todas as vezes que me culpei pela mágoa que você me causou. Perdoa, principalmente, por todas as vezes que quis o seu melhor. Droga, errei feio com você!
Olha, apesar disso, quero que saiba que entendi a mensagem. Então não pense que vou ficar enchendo seu saco indo atrás, te procurando, porque não vou. Eu sei respeitar a escolha das pessoas. Ah, não, eu continuo gostando de você sim. A gente não deixa de gostar de um dia pro outro, né? Mas eu sei meu lugar, você enfim me convenceu que não é ao seu lado. Ponto pra você!
Também queria te dizer que não perca seu tempo comigo, eu ficarei bem. Como já disse antes, nada de culpa por ter feito a garotinha sofrer, ou por mais uma vez ter prometido o que não ia cumprir. Fique longe desses pensamentos! Nunca foi seu forte perder tempo comigo mesmo... Então, é só continuar seguindo em frente.
Só sinto pelos dias nublados pelos quais enfrentei. Mesmo que haja novos amanheceres, arco íris, e florezinhas nascendo, você deve saber que nunca gostei de chuva. Meu caso de amor é com o Sol. Você poderia ter sido a maior alegria da minha vida, o Sol radiante dos meus dias, mas escolheu ser a pior decepção, os dias chuvosos e com tempestades. Tudo bem, já disse que respeito, mas você sabe, o coração às vezes se mete no texto. Passou, o cérebro já mandou ele de volta para o setor “bombear sangue”.
Em nossa última conversa (não sei se posso dizer que foi uma conversa) nos ferimos, nos machucamos. Sempre acontecia isso, mas dessa vez foi diferente. Acho que deve ter sido pra você também. Foi com tom de despedida, como se não fosse acontecer de novo e não por um bom motivo. Não viveríamos felizes para sempre, mas sim, separados para sempre. O pior de tudo isso é que não nos pediremos perdão. Não haverá volta, nem mais uma conversa tentando nos resolver, sms, ligação, Whatsapp, inbox, sinal de fumaça, carta, abdução, aparição, nada. Levaremos nossas últimas palavras para o resto de nossas vidas. Cá pra nós, isso não é nada legal, independente de não ficarmos juntos. Carregar coisas ruins nunca foi e nem será algo bom.
Então, te envio mentalmente coisas boas, que a gente não carregue culpa, peso na consciência, que não nos levemos como problemas um para o outro. Que apenas sigamos nossas vidas, tendo superado esses longos e exaustivos anos de “a culpa é sua” ou “eu não mereço você”. Merecemos, independente de qualquer coisa, continuar. Se vai ser fácil ou não, aí já é outra história.
Estou te libertando, de mim, do meu amor que te sufocava, dos sermões chatos, de minha insistência em mantê-lo perto, do meu cuidado excessivo, do meu carinho, do desejo, dos sonhos que te inseri sem que você quisesse, dos meus gostos, das minhas brigas, da minha preocupação, dos meus defeitos, das exigências, das obrigações, dos recomeços, dos meus problemas, do meu plano de te fazer feliz. Sinta-se livre, pode respirar melhor sem mim. É um direito seu.
Me permita agradecer, pelos momentos em que achei que era amada. Você finge bem, confesso. Mas era uma ilusão gostosa, imaginar que seríamos um só, eu, você e todo o amor que guardei pra nós. Tudo parecia uma orquestra, muito bem regida, mesmo que um pouco atrapalhada. Obrigada por fazer meu coração bater mais forte, por provocar minhas melhores risadas, por trazer à tona as tão famosas borboletas no estômago. Serei sempre grata por essas primeiras vezes.
Até aqui, foram 1.644 palavras, e todas elas, só para lhe dizer adeus.Como disse desde o início, preferia me manter em silêncio, mas você me conhece, sabe minha necessidade em escrever. Que seja um recomeço, tanto pra mim, quanto pra você, e que mesmo sem ler esta carta, você siga em frente, livre, com as boas energias que te envio, e com o fim definitivo de tudo que lhe prendia a mim.
Se cuide, amor. Agora, você está a sua própria sorte. Ponto pra mim!


Priscila Calheiros