segunda-feira, 3 de junho de 2019

Eu tenho a Síndrome da Bela e a Fera.

Eu tenho a Síndrome da Bela e a Fera. Confesso. Tenho um extenso currículo com caras problemáticos porque eu já sou tão envolvida nesse ciclo em eterno looping, que é atração automática. Sou imã. Sou colo, carinho e promessa de cura.

Sou competitiva e, como toda pessoa que tem essa natureza correndo nas veias, adoro um bom desafio. Funciona assim: É dada a largada, me comprometo a virar divisor de águas, essa vida só tá desandada porque eu ainda não tava por aqui.

Cheguei! E pra botar tudo em ordem. Ou mais ou menos isso, porque eu prefiro aquela bagunça tão nossa, que já virou arrumação. Não pretendo mudar nada de lugar- gosto assim. Só preciso saber onde dói e porquê.

Preciso saber quem é você (parece óbvio e coisa a ser apresentada num primeiro contato, mas é amplo e a pergunta mais íntima que a gente pode tentar responder). Me deixa te ajudar, pode confiar em mim.

Vai ficar tudo bem agora. Eu não vou embora! Porque eu sei que existe um cara incrível por trás de tanta mágoa e reflexo de autoproteção. Ninguém é a cara de mau que banca. Não tem problema você não ter sido forte pra ter passado por tudo isso sem virar só espinhos e rancor. Você pode ser forte agora, porque eu tô aqui com você.

Vocês conhecem o fim dessa história.

A Fera não é salva, não vira príncipe, nem esboça o mínimo de gratidão. Já caiu a última pétala dessa flor há muito tempo e esse feitiço não tem mais salvação. Só tem cárcere privado da Bela num relacionamento já falido ou fadado a falência. Só tem a Bela cada vez menor, pra tentar caber em algo tão pequeno.

Às vezes o amor transforma o outro. Mas, na maioria delas, morre de hemorragia depois de dar milhões de murros em ponta de faca. Aceito o óbito. Vivo o luto, compareço no velório, me refaço e...recomeço o ciclo.

Paro. Percebo que não são eles que precisam de salvação.

Marcella Fernanda