domingo, 28 de junho de 2020

Antes só do que mal acompanhada

Nunca fui de temer o estado civil, sabe? As perguntas dos namoradinhos e as datas comemorativas incomodavam um pouco, mas sempre fui certa de que o maior pavor que eu tinha era ter relacionamento fracassado.
Estar junto por estar, fingir que gosta, ser feita de besta por pura deslealdade é o que de fato me assombra.
Cresci vendo muitas relações de mentira e, desde muito nova, sabia que não era isso que eu queria pra mim. Ser solteiro não é problema, porque nossa melhor companhia sempre deverá ser nós mesmos. Ruim mesmo é levar relação nas costas, por capricho, medo ou dependência emocional.
Por mais que eu queira ter alguém, eu me tenho em primeiro lugar. E, por saber do meu valor (que é grande!), não me permito amar ao outro mais do que me amo, priorizá-lo mais que a mim ou deixá-lo fazer de mim Seu estepe ou válvula de escape.
Sempre digo as minhas amigas que por ser do jeito que eu sou, comumente sou feita de Porto Seguro para as pessoas, incluindo os homens. Então, eu descobri que eu tava fazendo errado. Eu estava sendo amiga demais e mulher de menos.
Porto Seguro é lugar de segurança, onde se vai para descansar ou buscar algo que ficou guardado.
Numa relação, os dois sejam juntos em alto mar, e JUNTOS, passam pela tormenta. Não existe porto seguro para o outro. Existe movimento.
E nesse processo de aparar arestas de mim mesma, digo com propriedade: não temo estar só, temo fervorosamente estar mal acompanhada, mal amada, maltratada.
Eu sou feita de reciprocidade. Se me ama, fico. Se não me ama, eu me amo por dois.

Priscila Calheiros



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