quinta-feira, 23 de abril de 2020

Amor próprio é o primeiro

Não podemos amar o outro mais do que amamos a nós mesmos.
Aliás, só saberemos de fato, amar ao outro, quando soubermos amar a nós mesmos.
É um trabalho diário, que deve ter início desde que nascemos. Amor próprio deveria ser requisito obrigatório para poder ter filhos, pois, só assim, os pais saberiam os ensiná-los, e também, deveria ser matéria obrigatória na escola.
O amor próprio não nos permite entrar em situações e relações que nos maltrate, nos diminua, nos machuque. E, se entrarmos, ele não nos permite permanecer.
Saber quem somos e o nosso valor, nos possibilita ser nossa própria prioridade, nosso maior empreendimento, nossa maior possibilidade.
Se entendo quem sou, quão importante sou, ninguém poderá me dizer e me fazer sentir o contrário.
Lembrando que quem não sabe se amar, não conseguirá amar o outro. Não o tornará um ser amado. O tornará um refém.
Em todo caso, terapia, senhores. Terapia.


* Lembre sempre que você é incrível demais e merece ser feliz. A vida é uma só para estar rodeado de pessoas que não te respeitam e não se sentem especiais de terem alguém tão espetacular como você é. Amor próprio é o primeiro.

Priscila Calheiros

domingo, 12 de abril de 2020

metade de mim é poesia, a outra metade é coragem

Muito provavelmente você como eu está cansado. Desgastado, impaciente, se perguntando quando isso tudo vai acabar.
Olhando para fora e sonhando, olhando para dentro e despertando (Obrigada, Jung!). Sim, isso foi um trocadilho.
Mas, sabe, você como eu está conseguindo. Chora, deita, levanta, toma um banho, se pergunta que dia da semana é, tenta ter esperança e logo em seguida, chora de novo. Mas você tem vencido, um dia de cada vez.
Pode estar se agarrando a fé em algo superior, ou a fé em dias melhores, ou se apegando a ciência. Não importa a quê, mas está te fazendo continuar.
E sim, tem sido muito difícil lidar com as emoções em época de quarentena. As vezes a vida já é tão difícil, tão complicada, e sem válvulas de escape se torna ainda mais complicado. Tivemos que nos lembrar de tanta coisa que havíamos esquecido, não é mesmo? Tivemos que voltar às origens, ao básico, ao que realmente importa.
E não, não é fácil. Precisar de coisas bobas, sentir falta do que batíamos no peito dizendo não sentir, remanejar alguns sonhos, reprogramar praticamente todo um ano!
Mas você está conseguindo. Você está firme na missão de, em meio ao caos, se tornar alguém melhor. Mais evoluído, mais maduro, mais consciente, mais forte.
Foi preciso voltar alguns passos, para lá na frente, dar passos mais longos. Diminuimos o agito da falta de tempo e caímos de paraquedas no tédio da falta de rotina. A falta se tornou pauta.
Mas nós ainda estamos aqui, tentando. E é tentando que passaremos por tudo isso, eu e você, resistindo. Lutando. Subindo e descendo nesse mar de emoções que somente nós, seres humanos temos acesso.
O que faremos depois? Espero eu que, colocar em prática, tudo aquilo que aprendemos enquanto passávamos pela prova, já que faltamos antes à algumas aulas.
Vai passar.


Priscila Calheiros 



Juntos.


Era uma quinta feira chuvosa, e cá estava eu conferindo a listinha de afazeres do dia. Devido a tamanha organização, tiquei todas as tarefas diárias com louvor.
Sentei em frente a TV com uma xícara de café e mudava de canal sem observar de forma relevante que o passava. Resolvi assistir um filme enquanto esperava o sono chegar, tarefa árdua ultimamente.
Um dia de cada vez, eu repetia para mim mesma. Afinal, eu estava me esforçando. Escolhi um filme aleatório, apenas como uma forma de manter a televisão ligada fazendo a devida companhia que alguém que mora só precisa ter. O celular tocou e, antes mesmo de ver quem era, atendi.
Oi, Felipe! E o meu coração estremeceu em pronunciar seu nome. Uma ligação rápida, apenas para me avisar que em minutos chegaria a minha casa.
Éramos amigos há bastante tempo, e sabíamos muito um do outro. Porém, de uns tempos para cá descobrimos gostar um do outro e isso estava nos afastando. Contraditório, não é? Mas era isso que acontecia quando se confundia os sentimentos.
Lipe, como o chamava, era meu parceiro nas boas risadas, nas lágrimas e nos sufocos, nas viagens e nos filmes de comédia romântica que ele sempre reclamava de ter que assistir.
Estávamos tão acostumados um com o outro que não percebemos o sentimento que crescia entre nós.
Uma batida na porta e despertei dos devaneios. Quando abri, ele me olhava com a feição de quem vê o pote do ouro no fim do arco íris. Em instantes, ele estava abraçado comigo e sua respiração era calma.
Me olhou novamente nos olhos e pediu que o ouvisse atentamente.
Havia dias que pensava em nós, pela primeira vez como casal, depois de uma conversa que tivemos. A decisão final era nos mantermos longe, já que deveríamos estar confundindo as coisas. Um tempo acalmaria os ânimos.
A questão era que ficar longe causava ainda mais saudade e necessidade de estar junto. E o quanto havia refletido sobre o que sempre aconteceu entre a gente, mas não percebíamos.
Alguns minutos listando tudo que gostava em mim e o quão feliz eu o fazia, fez meu mundo parar e capotar logo em seguida.
Eu só conseguia pensar: é recíproco! Eu não estou nisso sozinha! 
Não houve sequer um beijo, um convite para entrar ou algo parecido. Passamos alguns minutos na porta dizendo coisas e nos olhando com afeto, seguros de que o amor contemplava tudo, até as voltas que a vida dava.
Ali, diante daqueles olhos, entendi sobre a importância do toque, mas também, do qual precioso é se amar só com o olhar. A energia trocada é reflexo da capacidade de entender aquilo que transcende, ultrapassa os limites.
Enamorados nos amamos, sem sequer entrelaçarmos.
Éramos nós e uma vida inteira a ser vivida. Éramos nós e a vontade de mergulhar no escuro, mesmo com todas as luzes iluminando o caminho.
Juntos. 



Priscila Calheiros

sábado, 11 de abril de 2020

A prosa do nosso ir.


ir.
nem sempre porque se quer
às vezes, falta do teu bendito ser
às vezes, medo do que há de vir.
ir.
deixando para trás o amor
carregando no peito ferido a dor
do teu próprio desistir.
ir.
sobretudo, em frente
saudade, apego da gente
seguindo sempre a nos ferir.
ir.
por ter feito o meu melhor
em teus braços, afeto maior
mas nada em ti, consegui suprir.
ir.
verbo pequeno, 
em meu peito, sereno
em teu peito, confusões. ir.

▪︎metade de mim é estrada, mas a outra metade é o seu caminho de volta pra casa.▪︎


Priscila Calheiros