Demorou bastante tempo, mas eu (enfim) aprendi! E pode parecer, a você que está lendo, que isso é sobre se blindar, e sim, também é.
Mas é muito mais sobre aprender. Por muitos anos da minha vida, pelo meu nível de maturidade (ou posso dizer que pela falta dela), ou até mesmo por uma certa inocência, já que eu via as pessoas pela ótica de quem eu era, eu fui tolerada nos lugares.
Suportada por namoradas de meu pai pra elas fazerem média com ele, por família porque eu tinha algo a oferecer, por amizades porque meu pai tinha condições de bancar geral, por meninas na escola pois mesmo eu tentando ser invisível, nunca consegui ser ou até mesmo por pessoas que se chegavam a mim por me ver como uma ameaça e quando não se pode contra o inimigo, junta-se a ele.
Seja pela razão que fosse, tinha pouca gente que me amava muito e muita gente que não gostava de mim na mesma proporção.
Foram baques e mais baques, puxadas de tapetes e verdadeiras guerras travadas comigo mesma até aceitar o tal do quem sim, quem não e quem nunca.
Era um questionamento eterno: porque comigo? Porque eu? Eu fiz o que pra merecer isso?
Mas, como estamos aqui num processo evolutivo, um dia a ficha caiu. Um dia as máscaras caíram. Um dia eu precisei ver e entender que, não importava o que eu fizesse ou deixasse de fazer, não interessava se eu não tinha nada a oferecer ou representasse perigo algum, haviam pessoas que não gostariam de mim e ponto.
Era sobre elas, não sobre mim. E aí passei a ser a errada, cruel, egoísta e difícil de lidar. Pelo simples fato de aprender a discernir o que eu de fato merecia.
Aprendi que quando o amor não está mais sendo servido, a gente precisa levantar imediatamente da mesa. Aprendi também a não ficar onde eu sabia que não era bem vinda. E principalmente, aprendi que a culpa não era minha.
Eu dava aquilo que eu podia oferecer. Recebia quem queria. Não nos cabe mendigar afeto ou nos adaptar ao jeito vingativo e abusador de alguém para fazer parte de algo ou para se sentir (erroneamente) amado.
Se não posso ser quem sou, fazer o que gosto ou dizer o que penso sem estar ofendendo alguém, ali não me cabe, não é meu lugar.
Priscila Calheiros
