sábado, 30 de maio de 2015
[+] A gente cresce e entende (ou não) o que realmente importa.
No meu caso, sempre gostei muito de ficar em casa. O problema é que, na minha adolescência, minha mãe não me deixava sair. Nem sozinha, nem com amigos, nem com mãe de amigas, muito menos com namorado. Daí meu sonho de consumo se tornou sair, sair, sair. Festa, festa, festa. Aproveitar cada segundo longe de casa. Nas férias quando viajava com meu pai, eu não queria nem dormir para aproveitar ao máximo. Mas o que eu queria mesmo era ir para festas, dançar, aproveitar com minhas amigas. Nunca fui de namorar muito, nem gostava de bebidas alcóolicas, então o que eu queria mesmo era me divertir. E nunca pude.
Fui crescendo e já adulta, me permitia fazer as coisas que gostava, aproveitei bem pouco essas badalações, mas aproveitei. Não mudou muito a questão de minha mãe deixar ou não as coisas (o que ela continua fazendo até hoje, mas isso é assunto para outra prosa), porém, fui tomando as rédeas da minha vida.
Só que quando realmente eu podia fazer e acontecer, eu estava cansada demais, sem dinheiro ou qualquer coisa do tipo. Com o amadurecimento você percebe que nem tudo é estar todo fim de semana em alguma balada. A vida não se resume a uma bebida. "Pegar" várias (os) em uma noite só quer dizer que você não amadureceu o suficiente para estar com uma pessoa importante ou que você é carente demais e precisa estar com todos (as) para tentar suprir isso. Que não temos que fazer o que os outros fazem só para ser parte do grupo. A vida vai além disso!
Ficar em casa no sábado à noite assistindo um filme também é legal. Ir para o cinema (que eu adoro!!!) é um programa divertido. Curtir o friozinho ao lado do namorado debaixo das cobertas também é uma delícia. Aproveitar uma noite do pijama para colocar os assuntos em dia, viajar pra um interior com os amigos, pedir uma pizza na Sexta à noite, ir numa danceteria mais reservada, sair para tomar sorvete, ir à praia, fazer um almoço em família, também são opções maravilhosas.
Chega uma fase que nossos anseios mudam, nossas necessidades, nosso pensamento evolui, e nos damos conta de que aquelas coisas que antes eram essenciais, hoje não passam de um hobby antigo.
Vai caindo a ficha de que as coisas pequenas são as mais significativas. Não estou dizendo que badalar seja errado. Eu sou à favor do "faça o que te faz feliz, SE NÃO INVADIR O ESPAÇO DO OUTRO", então se você é feliz desse jeito, vá em frente.
Mas, com toda certeza, esse palco que é a vida merece um espetáculo. Isso aqui é muito mais do que nossos olhos podem ver. Isso aqui, é cada fragmento vivido que levaremos conosco para onde formos, sem direito a arrependimentos.
E quando nos damos conta, crescemos. Viramos adultos, cada vez mais exigentes, mais seletivos, mais ocupados, mais, mais, mais.
O tempo é implacável. As prioridades mudam. Nós mudamos no mundo e o mundo muda para nós. Então, nos perdemos nesses rascunhos que duram apenas uma noite, uma transa, um frio na barriga que dura segundos, falsos amigos, bebedeiras e fotos falsas nas redes sociais, e deixamos de viver o que realmente importa e nos faz feliz.
Quando percebemos e vamos tentar passar o rascunho a limpo, já perdemos tempo, pessoas, oportunidades, momentos que não voltam, saúde. A vida acaba como o vento que apaga a vela e dá a oportunidade do ator principal para outra pessoa. Porque você estava apenas sendo espectador de sua própria vida, ensaiando, quando deveria estar interpretando o papel principal e garantindo o oscar de melhor ator.
Existir é bom, mas viver é maravilhoso.
Ser alegre em todas as oportunidades é legal, mas ser feliz na vida é plenitude.
Priscila Calheiros
sexta-feira, 29 de maio de 2015
[+] Revendo postagens antigas no Facebook e... rindo muito!
Meu pai é uma figura! Cada dia me aparece com uma nova. Acho que é a vontade de ter quem chamar de genro e de ter um neto logo. Vamos com calma, Lulu. Uma coisa de cada vez KKKKKKK
#AmoMeuPai #Figura
Outro dia meu pai veio conversar comigo, sobre coisas que eu supostamente poderia fazer e confiar nele pra contar. Que se eu, por exemplo, fosse assaltar um banco, ELE NÃO IA CONCORDAR, mas me ajudaria a fugir, se eu dissesse que queria matar alguém, ELE NÃO IA CONCORDAR, mas me ajudaria de alguma forma. Que eu podia contar com ele pra tudo, que mesmo sem concordar ele me entenderia e me ajudaria com o que eu precisasse. E falou de namorados, e tem falado disso com certa frequência. E mistura as conversas. E passou a meio que me "cobrar" um genro. Eu acho que o meu pai está ou estava achando que eu sou lésbica e que eu não tive coragem de contar isso pra ele. Mas, o fato é que eu não sei como explicar que eu não sou lésbica, só sou encalhada. Por isso que não apresento nenhum namorad(O) pra ele. Enfim, há certas situações que só acontecem comigo. Alguém me ajudaria???
20/12/2012
Priscila (heterossexual assumida, compulsiva e não mais encalhada) Calheiros
segunda-feira, 25 de maio de 2015
Utilidade pública! Preciso rever meus conceitos sobre os Domingos...
7 COISAS QUE APRENDI A DESAPRENDER
Chega uma hora na nossa vida em que é bom rever os conceitos. É importante perceber se aquilo que sempre te falaram, realmente te faz bem. Se sim, é só seguir em frente. Se não, é hora de arrancar as raízes, quebrar os galhos e preparar a terra para novas ideias mais sadias. É um processo difícil, mas a gente chega lá.
Algumas ideias são plantadas em nossas cabeças desde que somos pequenos, como se fossem uma sementinha. Assim nasce uma cultura, um pensamento em larga escala, um comportamento padrão. Por isso, é muito difícil desconstruir uma ideia que foi imposta, depois germinou e virou uma árvore com raízes fortes. Chega uma hora na nossa vida que é bom rever os conceitos. É um processo difícil, mas a gente chega lá.
1) Idade
O tempo todo falam sobre idade. Com 30 não dá mais pra fazer isso, com 40 não dá mais pra fazer aquilo, com 20 você é um idiota que não sabe nada da vida, com 25 você é um perdido. Com 18, nem te consideram nada, apesar de você se achar adulto o suficiente. Idade é o que menos importa. Aprendi a não perguntar a idade de ninguém. Não me importa quantos anos as pessoas viveram e sim as experiências que tiveram.
2) Trabalhar com o que se gosta é a fórmula da felicidade
Sim! Claro, essa dica é uma das principais para levar uma vida repleta de felicidade, mas nem de longe ela é a solução dos problemas. Trabalho dá trabalho. Tem dia que você vai querer ficar dormindo até mais tarde, outros dias você vai desejar morar pra sempre numa ilha distante. Trabalhar com o que eu realmente gosto é uma grande motivação para mim, mas aprendi a respeitar meu tempo. Ou pelo menos estou tentando.
3) Felicidade só é boa quando é compartilhada
O fato é que essa tal da felicidade me irrita. Não existe isso de ser feliz o tempo todo, mas deixa isso pro próximo tópico. Você não precisa dividir sua felicidade com uma única pessoa que vai entender todos os seus desejos e anseios. A felicidade deve ser compartilhada em momentos de felicidade. E, no final das contas, ela está em todos os detalhes: quando você aprende uma coisa nova, quando compartilham uma experiência que você consegue acessar a memória da outra pessoa e, de repente, parece que você esteve lá também. Quando você ri muito de alguma coisa por muito tempo, por mais que já tenha perdido a graça, você continua rindo porque a outra pessoa também tá rindo. Quando você ajuda alguém e ela agradece. Quando você cruza com alguém que não vê há muito tempo. A felicidade deve ser compartilhada, mas com várias pessoas, várias vezes ao dia. E, claro, deve ser compartilhada com você também. Quando você fica ouvindo a mesma música no repeat, lendo um livro que te tira do ambiente em que você está. Ou, quando você pensa deitado na cama, com os pés pra cima, apoiados na parede. Dá pra ser feliz várias vezes ao dia. Não precisa estar apaixonado. Por isso, o mais legal é se apaixonar várias vezes ao longo da vida. Talvez seja pela mesma pessoa, talvez seja por várias, talvez por você mesmo. O importante é lembrar que você é sempre vários e ser companhia para si mesmo deveria ser uma felicidade compartilhada também.
4) Felicidade plena
Não sei quem colocou na nossa cabeça essa ideia de que vamos alcançar a tal felicidade. Já viram a peça “Esperando Godot”? Tudo bem, ela foi uma peça escrita depois da segunda guerra mundial e talvez quisesse dizer muito mais do que isso, mas a moral da história é que os dois personagens passam a peça inteira esperando por Godot, mas ele nunca vem. A peça inteira é uma discussão sem fim de cadê o tal do Godot. Sei que é clichê essa coisa de “sua vida passa enquanto você procura a felicidade”, mas é verdade. Porque a felicidade que você tanto almeja nunca vai chegar. Ela já está aqui, escondida em algum lugar que você não consegue ver. Ela está nos mínimos detalhes. Se você parar pra observar, tudo é mágico, tudo se conecta. Tudo é útil, porque tudo é um presente. Você usa isso da forma que quiser. Eu tive um professor que falava que pra saber se você tem uma vida feliz, basta observar como você se sente nos domingos. Se estiver muito bem, mesmo sabendo que no outro dia é segunda-feira, você é uma pessoa feliz. Criei uma teoria em cima disso: domingo é o dia que você mais precisa focar no presente, senão ele escapa rápido. Se você aprendeu a lidar com os domingos, você aprendeu a viver o momento presente. Bingo. Muitas doses de felicidade no seu dia a dia, sem essa lenga lenga de feliz pra sempre.
5) Par perfeito
Não tem como encontrar o par perfeito em outra pessoa. Eu sou a única pessoa que convive comigo 24 horas por dia, então eu tenho que ser meu par perfeito pra me aturar por tanto tempo. Odeio frases no imperativo, mas SEJA O PAR PERFEITO PARA SI MESMO. Todo mundo vai parecer menos problemático e, de repente, você vai perceber que é mais compatível com os outros do que imaginava. Sabe aquela história de que o que te irrita no outro, na verdade, são defeitos seus que você não conseguiu trabalhar? Então, resolva-se primeiro, depois queira que alguém seja perfeito pra você.
6) Namorar é ter alguém pra você
Em primeiro lugar, ninguém é de ninguém. Todo mundo já trás uma história de vida antes dos novos relacionamentos. Tem seus amigos, seus sonhos, sua rotina. Não é por que você encontrou alguém que agora deve isso tudo a ela. Ninguém tem o direito de invadir o espaço do outro, sistematizar o que o outro vai fazer, ficar chateado quando o outro não quer te acompanhar no seu programa de índio. Namorar é dividir.
7) Seus pais sabem o que é melhor pra você
Nunca sabem. Eles, como qualquer outro ser humano, sabem só o que é melhor pra eles.
Marcela Picanço
Reforço positivo X Reforço negativo: Onde fica o crack nisso? Matéria muito boa, vale à pena ler!
"Por que eu estou aqui de jaleco branco, enquanto esse sujeito está fumando crack?"
Foi essa a pergunta que surgiu na cabeça do neurocientista Carl Hart, em 1998, enquanto ele tomava notas de suas observações para a pesquisa sobre efeitos do crack que estava realizando no Hospital da Universidade Columbia, em Nova York.
Hart era um cientista respeitável de Columbia, com três pós-doutorados, o primeiro negro a ser contratado como professor titular na área de ciências desta que é uma das melhores e mais tradicionais universidades americanas. O homem à sua frente era negro também, também na quarta década de vida, embora sua expressão indicasse muito mais idade. Era um vendedor ambulante, que tinha o hábito frequente de fumar crack nas ruas de Nova York, e que tinha concordado em participar da pesquisa em troca de droga grátis e algum dinheiro.
Os dois não poderiam estar em situação mais diferente. Mas Hart sabia bem que, por pouco, ele próprio tinha escapado do destino do outro. É essa a história que ele conta no livro Um Preço Muito Alto, que demole vários mitos sobre o crack.
Como ele escapou
Nos anos 80, quando estava no ensino médio, num bairro pobre de Miami, o pai alcoólatra, a mãe desequilibrada, cada um numa casa, a vida sem perspectivas, Hart traficava maconha. Ele circulava com um fuzil no porta-malas, ameaçava brancos que se aventurassem pelo bairro, roubava baterias de lojas de autopeças e televisores da casa dos vizinhos.
Por sorte (e por ser jogador de basquete e futebol americano e, portanto, correr bem), nunca foi pego. Se fosse, a ficha suja acabaria com suas chances de sucesso. A maioria das pessoas à sua volta - amigos e família - saiu-se pior. Uns se afundaram no crack, outros mofaram na cadeia. Um morreu com um buraco de bala numa execução na rua.
Hart usou drogas e tomou todas as decisões erradas possíveis. Mas encontrou um caminho para uma vida produtiva, de pagador de impostos e educador da juventude. "Foi sorte", admite. Mas não só sorte. Hart se salvou agarrando-se a oportunidades que apareceram. Primeiro: ele tinha jeito com matemática - e descobriu ainda adolescente o prazer de ser bom em algo.
Segundo: teve na família algumas referências sólidas de valores. Uma avó ensinou-lhe a ética do trabalho duro, outra transmitiu-lhe a importância de obter uma educação. Graças a isso, quando terminou o ensino médio e se deu conta de que o sonho de ser atleta profissional não passava de ilusão, ele teve forças para entrar na Força Aérea. No quartel, pôde começar uma faculdade, viajar o mundo e conhecer algumas referências de negros de sucesso, algo que não existia em seu bairro.
Terceiro: ele teve chances. Havia vagas em universidades de primeiro time para gente talentosa que viesse de uma vida miserável. Hart foi estudar na prestigiosa (e caríssima) Yale, com bolsa. Encontrou mentores que o guiaram e descobriu que, além do talento matemático, ele tinha capacidade de observação e habilidade para fazer cirurgia cerebral em ratos de laboratório. E aí uma carreira acadêmica se abriu para ele.
Ele decidiu tornar-se especialista nos efeitos do crack, para entender como a droga tinha destruído sua comunidade. E virou um neurocientista improvável, com seus dreadlocks e os três dentes de ouro, lembranças dos tempos de pobreza.
Enquanto Hart avançava na carreira, um incômodo crescia. Ao mesmo tempo em que se aprofundava nos dados científicos, ele acompanhava o debate público sobre a droga. Todo mundo dizia que o crack transformava pessoas em zumbis. Que era uma epidemia se alastrando. Que viciava logo na primeira vez que alguém experimentasse. Que matava em poucos anos e que transformava gente comum em criminosos.
O problema é que nenhuma dessas certezas tão repetidas estava de acordo com o que ele observava no laboratório.
"Procuram-se crackeiros"
"Procuram-se usuários de crack que não estejam dispostos a parar de fumar." Era esse o texto do anúncio que Hart publicou num jornal gratuito de Nova York, em setembro de 1998.
Sua ideia era ousada: dar crack a pessoas que já eram usuárias e pretendiam continuar (não seria ético fornecer droga a um não-usuário ou a alguém que estivesse tentando parar). Dessa forma, ele poderia observar os efeitos de maneira científica, controlada, objetiva. Não foi fácil aprovar o estudo, dadas as complicações éticas e a dificuldade de financiamento para um projeto tão polêmico. Mas Hart conseguiu porque já tinha uma reputação na área e o apoio de uma universidade respeitada.
Foi assim que começou seu projeto de registrar cientificamente os efeitos do crack, em vez de acreditar no que se dizia na TV. Por meses, ele deu doses de crack ou placebo (para comparação) a vários sujeitos. Eles então eram convidados a escolher entre mais crack ou outra coisa (dinheiro, por exemplo). Hart percebeu que os usuários são sim capazes de tomar decisões. Se a alternativa era boa, eles abriam mão do crack.
"Como qualquer um de nós, dependentes não são sensíveis a só um tipo de prazer", escreveu. O vício realmente "estreita o foco" -um "crackeiro" tem mais dificuldade de achar graça em outras coisas, assim como um faminto prioriza comida. "Mas o vício grave não transforma a pessoa num ser incapaz de reagir a outro tipo de incentivo", diz. Mesmo na fissura, um dependente é capaz de tomar decisões racionais, quando a alternativa compensa. Ele não se transforma num zumbi criminoso.
Essa descoberta está de acordo com pesquisas feitas com ratos pelo canadense Bruce Alexander. Ratos mantidos sozinhos em gaiolas apertadas, quando recebem crack, drogam-se tanto que às vezes se esquecem de comer e morrem. Mas, se a gaiola tiver diversão, interação social e um cantinho para ficar a sós com as ratinhas, eles acabam escolhendo os prazeres alternativos e deixam a droga de lado.
O problema é que, em muitos lugares, como no bairro onde Hart cresceu, não há muitas alternativas que compensem. Dependentes de crack não são irracionais: são pessoas que não enxergam saída na vida e que optam por fugir do estado consciente, ainda que isso lhes faça muito mal e possa matá-los. O próprio Hart escapou das drogas não porque ficou longe delas, mas porque encontrou outros interesses, que o motivaram a trabalhar duro.
"Crack não vicia muito"
Em maio último, Hart veio ao Brasil para lançar o livro. Uma noite ele participou de um debate com o médico Drauzio Varella, numa livraria de São Paulo. Drauzio, que passou décadas trabalhando em cadeias, deu um depoimento que chocou o público: "uma coisa que eu percebi olhando os presos é que o crack na realidade não vicia muito".
Mas como? Não se diz que o crack vicia automaticamente, logo na primeira vez? Pois, segundo os dados, isso é outro mito: simplesmente não é verdade. "Oitenta por cento dos que experimentam não se viciam", diz Hart. "Largar o cigarro é mais difícil que largar o crack", concordou Drauzio.
Mas, para conseguir largar, é preciso ter o que Hart chama de "reforço alternativo" - uma outra opção, que seja atraente o suficiente. Por exemplo: família, uma carreira interessante, uma paixão, algo que motive a largar a fumaça inebriante.
Para as pessoas que estão na rua, sem perspectiva, não há reforço alternativo. Ficar sem crack, para eles, é pior, porque obriga-os a conviver de cara limpa com a sujeira, a desesperança, a violência. Por isso que, embora crack seja usado por gente de todas as classes e etnias, os brancos e os de classe média geralmente não se viciam, porque têm algo a mais a esperar da vida. Quase sempre quem se dá mal são os mais pobres, os que vêm de famílias desestruturadas e os membros de minorias raciais.
Hart sabe disso não só pelas suas pesquisas, mas por sua história. "É impossível crescer num mundo que despreza pessoas que têm a sua aparência e não sucumbir secretamente à insegurança", escreveu. Ele próprio acreditou que, por ser negro num bairro pobre, jamais poderia aspirar muito. Mas, à medida que portas foram se abrindo e ele foi entrando, Hart recebeu "reforços positivos", que foram condicionando-o a continuar tentando. É psicologia básica.
Os dados ajudam a enxergar a desigualdade racial dos danos ligados ao crack. Nos EUA, 52% dos usuários são brancos, enquanto só 15% são negros. Mas, entre os que acabam sendo presos, 79% são negros e só 10% são brancos. No Brasil também, a imensa maioria de quem chega ao fundo do poço é negra ou mestiça. Segundo uma pesquisa recente da Fiocruz, 80% da população das chamadas cracolândias tem pele escura.
"Acho ofensivo vocês brasileiros chamarem as cenas de uso de cracolândia", disse Hart na livraria. "Passa a ideia de que tudo o que acontece lá é por culpa do crack. E não é. O que está acontecendo lá é desespero, é racismo, é pobreza. O crack não cria a pobreza." Na realidade, o uso excessivo é consequência, não causa, das cenas degradantes.
Outra ideia disseminada é a de que há uma "epidemia" de crack. Segundo Hart, trata-se de outro mito. Os números da Fiocruz mostram que há 370 mil usuários de crack nas capitais do País. Se extrapolarmos esse número para todas as cidades do Brasil, chegaríamos a 700 mil usuários - número provavelmente exagerado porque o crack ataca mais as cidades grandes. É muito, mas longe de ser uma epidemia - não chega a 0,4% da população. E não está crescendo de maneira explosiva.
Há sim um alastramento do vício em crack entre os mais pobres, desestruturados e desesperados. Mas isso não vira epidemia porque o vício não se alastra para fora desses grupos.
Como vencer?
O Brasil tentou vencer o crack com repressão. A polícia prendia os usuários que viviam na rua, queimava seus barracos improvisados, levava-os algemados a um tratamento compulsório. O resultado foi que as cenas de uso, antes concentradas, se espalharam por toda parte. As pessoas que eram forçadas a se tratar podiam até parar por algum tempo, mas, sem "reforço alternativo", acabavam voltando para a rua. Afinal, sempre haverá um beco escuro para se drogar. E sempre haverá uma pedra de crack para comprar, já que é impossível vigiar toda a imensa fronteira entre a Amazônia brasileira e os países produtores de cocaína - Bolívia, Colômbia e Peru.
Como todo mundo diz que crackeiros são "zumbis", eles próprios acabam muitas vezes acreditando nessa visão, e se julgando incapazes de escapar- aí não têm motivação nem para tentar. Assim, as cracolândias vão ficando maiores e mais comuns. Foi o que aconteceu nos últimos 15 anos no Brasil.
Ultimamente, algumas cidades começam a se dar conta disso, inspiradas por experiências de outros países. Em São Paulo, 2014 começou com uma nova estratégia na região da Luz, a primeira cracolândia brasileira. A ideia central do programa Braços Abertos é tratar as pessoas vivendo na rua como gente. A prefeitura disponibilizou chuveiros, passou a oferecer atendimento médico, cedeu quartos em pequenos hotéis da região a 400 dependentes que queriam melhorar de vida, e agora está ajudando-os a regularizar seus documentos.
Vários dos ex-moradores da rua passaram a trabalhar na varrição das vias, com remuneração. O resultado é um ambiente um pouco menos degradante. Cento e vinte dos usuários já têm carteira de trabalho. Quarenta deles estão prestes a conquistar um emprego, fora dali. Reforço positivo.
Numa segunda de manhã, vou passear pela região. Entro em alguns dos hotéis: simples, mas dignos. Ando pelas ruas e vejo, aqui e ali, alguma beleza. Converso com as pessoas. Há muitos problemas ainda - desconfiança mútua entre usuários e governo, rivalidade entre a prefeitura (do PT) e o Estado (do PSDB), dúvidas quanto à qualificação de quem trabalha no programa. Mas o número de usuários na rua diminuiu, a sensação de segurança aumentou. Há alguma esperança no ar.
Mundo real
Quando chegou ao Brasil, Hart avisou que não veio para cá apenas para conversar com médicos. Queria ver o mundo real. Foi visitar uma das cenas de uso de crack mais terríveis do Brasil: a cracolândia da favela de Manguinhos, no Rio, um canto que a própria favela segrega.
No última dia dele em São Paulo, ofereço uma carona até o aeroporto. Foi o único horário que consegui em sua agenda, em meio a reuniões, debates em livrarias e visitas a cracolândias. Pergunto se ele se chocou com o que viu. Ele não parecia surpreso. "É a mesma cena de pobreza no mundo todo", diz.
Pergunto se ele não tem medo de que a exposição de sua vida pessoal prejudique a carreira que ele construiu com tanto esforço. "Eu costumava ter esse medo, sim", ele responde. "Mas já tenho 47 anos e é minha obrigação contar o que eu sei. Se eu não fizesse isso, minha consciência não me deixaria olhar no espelho." Ele acha que boa parte de seus colegas é omissa. "A ciência já compreende há 20 anos a farmacologia do crack, mas as pessoas que sabem permanecem em silêncio." Hart chama a ciência de "clube de elite", sem muito interesse pelos problemas dos negros e dos mais pobres. "Além disso, muitos cientistas se beneficiam dessa perspectiva errada, porque o governo gasta uma fortuna combatendo as drogas e esse dinheiro acaba financiando suas pesquisas."
Assim, gasta-se muito, não resolve-se nada. Afinal, não é o exército, nem o governo, nem a polícia que vão vencer o crack. É cada usuário, cada dependente, tendo como arma apenas a vontade que encontrar dentro de si. Só o que o resto da sociedade pode fazer é oferecer incentivos que sirvam de reforço, e informação confiável que aumente sua capacidade racional de decidir melhor.
Mito número 1 - Há uma epidemia de crack, que transforma uma multidão de pessoas em zumbis sem vontade própria.
A verdade - Não é uma epidemia, já que ela não se alastra. E usuários não são zumbis - se têm oportunidades, são capazes de largar a droga.
Mito número 2 - O crack transforma as pessoas em criminosas, incapazes de refletir sobre a consequência de seus atos.
A verdade - O vício aumenta sim a taxa de roubos, mas metade dos dependentes tem emprego fixo e não comete crimes.
Mito número 3 - Crackeiros tornam-se incapazes de encontrar prazer fora do crack. Escravos da droga, não têm motivação para mais nada. A verdade - Pesquisas mostram que dependentes de crack são capazes de responder a outros estímulos, se houver uma alternativa atraente.
Fonte: http://super.abril.com.br/cotidiano/crack-tudo-sabiamos-ele-estava-errado-810501.shtml
Deixa o tempo cuidar...
Não acredito em amor à primeira vista. Nunca acreditei! Tá bom, eu acreditava quando era pequena e assistia a um filme onde o protagonista corria atrás do “amor da sua vida” no aeroporto e discursava num megafone ou autofalante pra ela não ir embora para Paris… E a mocinha então desistia da viagem em busca dos seus sonhos mais antigos pra ficar com um bonitão desconhecido que conheceu há duas semanas. Depois de crescida, assisti novamente filmes parecidos com a certeza de que aquilo era tudo, menos amor como antes me disseram. E não adianta tentar me convencer! Se você pensar diferente após ler o texto, conclua que o seu modo de amar talvez seja apenas diferente do meu. E pronto! Afinal, quando se trata de sentimentos não existem verdades absolutas! Só penso que se o amor é o máximo sentimento dedicado a alguém, achar que acontece em questão de segundos ou dias é, no mínimo, subestimá-lo profundamente. E eu subestimo as pessoas que subestimam qualquer coisa bonita no mundo, subestimo mais ainda as que subestimam o amor.
Você certamente ama seus pais, seu irmão e seu cachorro, pode amar até mesmo um amigo de anos. E Não… Não ama a menina que está saindo há um mês e talvez nem a namorada de anos. Pra mim, o amor vem depois de muita coisa que as pessoas confundem com ele e acredito que muita gente concorde comigo. Não é a paixão do início e nem a intimidade do meio. É quando você conhece o melhor e o pior de alguém, analisa verdadeiramente e opta por ficar porque realmente quer. E é preciso um bom tempo de convivência para conhecer o melhor do pior das pessoas. Mas, não se zangue! Eu acredito em química, em admiração, em encantamento… E isso sim pode surgir numa fração de segundos!
Poucas sensações na vida são tão boas como conhecer alguém que te encanta, seja logo de cara ou aos poucos. Sabe quando você conversa com uma pessoa e percebe que ela é única no mundo? O normal não é isso acontecer todos os dias. Se acontecer, provavelmente, você está com sérios problemas. Então já sabe: Ao persistirem os sintomas, o psicólogo deverá ser consultado! Simpatizar, achar legal, engraçado, interessante, lindo, sexy, inteligente, charmoso, fofo e perfeito ainda não é encantamento. Encantamento é uma coisa estranha, meio sem nexo, instintiva, inconsciente… Também não é só uma atração louca, é uma conexão mais profunda e mais difícil de acontecer. E por isso é tão bom quando acontece! O amor começa com o encantamento e, muitas vezes, acaba pelo desencanto. Então, pra que pular partes? Aproveite a fase da indecisão, da insegurança, do frio na barriga, da bochecha corada, do medinho gostoso, da descoberta, da conquista… Cada fase da vida é única e merece ser vivida intensamente! Antes de achar que ama alguém, procure amar o conjunto, o contexto… Ame cada momento ao lado da pessoa, ame cada detalhe que é despercebido pelo resto da humanidade e que para você é simplesmente extraordinário! Em um mundo onde a famosa frase de três palavras virou clichê, dizê-las não prova nada. Até porque o que é sincero não precisa ser dito, precisa ser sentido!
Por isso, ame muito! Ame a vida, ame o mundo… Faça do amor uma ação, só depois o torne um sentimento. Só diga “eu te amo” quando as borboletas no estômago estiverem entrelaçadas a uma escolha adulta e consciente. Às vezes a química é excelente, entretanto, para um relacionamento dar certo, a matemática não pode ser esquecida: O bom e velho raciocínio é fundamental! A razão não precisa ser inimiga da emoção, ambas se complementam e se equilibram… Como um casal que possui alguns conflitos e ainda assim reconhece que os dois ficam bem melhores juntos! Concordo que não podemos escolher quem nos encanta, porém, é necessário saber distinguir as pessoas que devem ficar e as que precisam ir. Algumas delas merecem nosso encantamento, pouquíssimas o nosso amor! Não é necessário ter tanta pressa… Deixa o tempo cuidar! O amor chega devagar, mas, pode ir embora muito rápido quando se tenta colher as flores sem ao menos cuidar da raiz.
Jéssica Delalana
Fonte: Casal Sem Vergonha
sábado, 23 de maio de 2015
Venha, por favor.
Eu espero alguém que não desista de mim mesmo quando já não tem interesse. Espero alguém que não me torture com promessas de envelhecer comigo, que realmente envelheça comigo. Espero alguém que se orgulhe do que escrevo, que me faça ser mais amigo dos meus amigos e mais irmão dos meus irmãos. Espero alguém que não tenha medo do escândalo, mas tenha medo da indiferença. Espero alguém que ponha bilhetinhos dentro daqueles livros que vou ler até o fim. Espero alguém que se arrependa rápido de suas grosserias e me perdoe sem querer. Espero alguém que me avise que estou repetindo a roupa na semana. Espero alguém que nunca abandone a conversa quando não sei mais falar. Espero alguém que, nos jantares entre os amigos, dispute comigo para contar primeiro como nos conhecemos. Espero alguém que goste de dirigir para nos revezarmos em longas viagens. Espero alguém disposto a conferir se a porta está fechada e o café desligado, se meu rosto está aborrecido ou esperançoso. Espero alguém que prove que amar não é contrato, que o amor não termina com nossos erros. Espero alguém que não se irrite com a minha ansiedade. Espero alguém que possa criar toda uma linguagem cifrada para que ninguém nos recrimine. Espero alguém que arrume ingressos de teatro de repente, que me sequestre ao cinema, que cheire meu corpo suado como se ainda fosse perfume. Espero alguém que não largue as mãos dadas nem para coçar o rosto. Espero alguém que me olhe demoradamente quando estou distraído, que me telefone para narrar como foi seu dia. Espero alguém que procure um espaço acolchoado em meu peito. Espero alguém que minta que cozinha e só diga a verdade depois que comi. Espero alguém que leia uma notícia, veja que haverá um show de minha banda predileta, e corra para me adiantar por e-mail. Espero alguém que ame meus filhos como se estivesse reencontrando minha infância e adolescência fora de mim. Espero alguém que fique me chamando para dormir, que fique me chamando para despertar, que não precise me chamar para amar. Espero alguém com uma vocação pela metade, uma frustração antiga, um desejo de ser algo que não se cumpriu, uma melancolia discreta, para nunca ser prepotente. Espero alguém que tenha uma risada tão bonita que terei sempre vontade de ser engraçado. Espero alguém que comente sua dor com respeito e ouça minha dor com interesse. Espero alguém que prepare minha festa de aniversário em segredo e crie conspiração dos amigos para me ajudar. Espero alguém que pinte o muro onde passo, que não se perturbe com o que as pessoas pensam a nosso respeito. Espero alguém que vire cínico no desespero e doce na tristeza. Espero alguém que curta o domingo em casa, acordar tarde e andar de chinelos, e que me pergunte o tempo antes de olhar para as janelas. Espero alguém que me ensine a me amar porque a separação apenas vem me ensinando a me destruir. Espero alguém que tenha pressa de mim, eternidade de mim, que chegue logo, que apareça hoje, que largue o casaco no sofá e não seja educado a ponto de estendê-lo no cabide. Espero encontrar uma mulher que me torne novamente necessário.
Fabrício Carpinejar
Não espere que ela esteja por um fio.
Amigo, te peço: não espere que ela esteja por um fio. Entende o que é por um fio? Eu me pergunto por que as pessoas precisam estar a um passo de perder alguém para realmente se darem conta do valor daquela pessoa. E eu nunca acho resposta. Talvez seja o próprio medo da perda que amplie sua intensidade. Talvez seja a vida tentando mostrar que não será a mesma sem sorrisos e aquela presença. Talvez seja o medo da solidão que desespera quem está prestes a ficar assim.
Esqueça as outras meninas que nunca fizeram sentido e não importam. Esqueça as noites mal dormidas com pessoas vazias, que pareciam se desmanchar no raiar do dia. Eu estou falando da que realmente importa, da que faz diferença. Daquela que você corre para abraçar quando tudo parece que vai desabar. É para quem você pergunta como foi o dia e para quem quer contar como foi o seu. É ela. E você sabe.
Seja cauteloso e pense bem. Não faça nada impensado. Aliás, faça. Sai de casa agora e vai atrás dela. É! Vai! Eu posso passar a tarde inteira enumerando motivos, razões, conselhos e outras bobagens que vão entrar por um ouvido e sair pelo outro. Mas a ideia é sempre a mesma: a gente perde muito tempo gostando de quem não se doa na mesma medida. Vivemos uma falta de recíproca absurda.
Falo com você agora, amigo, porque vejo que ela se colocou em suas mãos. Vejo que ela selou o destino e não quer nin- guém além de você. Ela é sua. É difícil pensar que alguém se entregue assim, não é? Talvez, se a gente se doar dessa forma também, seja possível mensurar que o amor dá pé –ainda que todo amor não tenha fundo e seja preciso mergulhar. Quantos segundos você aguenta sem respirar? Quantas vezes você consegue abrir o olho embaixo d’água? Até onde você acha que consegue nadar? E quanto você é capaz de ficar sem ela?
É apenas um pedido: não deixe ela se distanciar e ficar a perigo. Não a perca. Não dê esse mole, essa chance ao azar. Já disse que ela é sua, mas não brinque de deixá-la solta. Sempre pode aparecer alguém para pegar o que a gente deixa de lado. Agarre-a. Mais forte que o abraço mais apaixonado que já presenciou. Beije-a. Mais apaixonado do que todas as vezes em que beijou na vida. Declare-se. Só que não apenas com palavras.
Ame-a. Mais do que ela acha que é possível o amor amar.
Gustavo Lacombe
sexta-feira, 22 de maio de 2015
(...) nessa nossa história, cruzo os dedos e torço para que não haja fim.
Ele me pega no colo sem fazer esforço. Ri do meu medo de lagartixas e chora toda vez que escrevo pra ele. Ele tem o dom de me fazer rir até sentir dor. Quando não consegue naturalmente, abre um vinho e até o vizinho reclama das nossas gargalhadas.
Nos conhecemos de um jeito não muito romântico e nada parecido com os filmes. Não faz mal, o meio da história sempre foi o mais interessante pra mim. Adoro todas as suas tatuagens, que parecem que já nasceram com ele.
Até hoje não entendo como ele consegue dizer tanto sem falar muito. Uma única frase dele e estou entregue. Ele ensaboa as minhas costas no banho e escreve recadinhos românticos no vidro embaçado do boxe.
Gosto de ficar assistindo ele tomar uma ducha enquanto imagino o que faremos depois. Às vezes bate uma preguiça e a gente passa o final de semana embolado no edredom, vendo séries e alternando entre pizza, pipoca e brigadeiro. Durante a semana tudo é tão corrido e ainda dá tempo de sentir saudades.
Ele me acorda com jeitinho e atura meu mau humor matinal todo dia. Eu sou meio durona, ele é sensível demais, sei lá como a gente deu certo. Vez ou outra a gente briga, mas, minutos depois já está tudo bem de novo, o orgulho nunca é maior que a vontade de ficar junto.
Ele me enche de orgulho a cada nova conquista “nerd”. Gosto de escutá-lo explicar coisas estranhas, como a origem do controle remoto. Ele consegue ser a melhor pessoa do mundo e a mais chata também, confesso. Vamos ao restaurante e ele sempre tenta inserir um novo prato na minha vida, eu faço cara feia e acabo pedindo o de sempre. Ele ri. Já sabe que sempre pego mais comida do que aguento e aproveita pra comer o restante. Ele diz que é pra não desperdiçar, eu rio, nós dois sabemos que é gula.
Assistimos jogos juntos, torcemos pro mesmo time, mas, eu ainda não entendo sempre quando é ou não impedimento. Hoje ele me perguntou quando eu percebi que estava apaixonada. Eu disse que foi quando eu, que nunca gostei muito de falar ao telefone, me peguei ligando só pra ouvir a voz. Ele riu. Na verdade não sei ao certo quando me apaixonei.
Sempre preferi o meio das histórias ao início. A diferença é que nessa nossa história, cruzo os dedos e torço para que não haja fim.
Jéssica Delalana
Fonte: Casal Sem Vergonha
Sou seu e estou contigo.
Toda vez que eu te beijo, um filme passa na minha cabeça. Engraçado como que o passado, presente e o futuro se confundem em mim nessa hora. Confesso que, em determinadas circunstâncias, perco totalmente o foco. Fico com a língua na tua ali, mas viajando aqui. Vou de encontro ao garoto que escrevia poesias pra te ver sorrir e, de repente, estou de mãos dadas com uma mulher que não conheço, mas que o sorriso é exatamente igual ao seu.
São tantos flashes que o momento presente some. Estranho, né? E num furacão de emoções logo estou de volta aos teus braços, preso pelos seus dedos e com teus cabelos caindo no meu rosto, confundindo o teu gosto de laranja com o perfume que passou de manhã, mas que ainda não saiu. Meu olfato e paladar se perdem. Apenas atestam que estou sentindo você.
Admito que abro o olho em certos momentos. Pode ser um tipo de reflexo pra ver se você ainda está ali ou se é uma miragem produzida por algum efeito que o gostar e o querer fazem com meu cérebro. Lembro de uma vez sonhar contigo e acordar com raiva por estar sozinho. Minha cama tão grande, teu lugar esperando e um sonho pra me atazanar as ideias. Como dormir depois disso?
Toda vez que te beijo eu deixo crescer em mim o gostar. Não crio expectativa de nada, mas não consigo frear essa necessidade de ser teu cada dia mais. Já não sei não estar com você. Ser seu amigo? Ok, sou faz tempo e tento sempre te mostrar que hoje ainda o sou, mas também estou sendo mais que isso. Sou seu e estou contigo.
E amo isso.
Gustavo Lacombe
Fonte: Casal sem vergonha
quinta-feira, 21 de maio de 2015
É assim que se conhece o amor...
50 anos depois, sentados na cadeira de balanço mirando todo o império que construímos diante de nós, o olhar amoroso dele para mim ainda era o mesmo. O abraço ainda era abrigo, as mãos dadas continuavam seguras, o sorriso permanecia um doce aconchego para a alma, mas havia um pequeno grande diferencial: a maturidade e o tempo em comunhão tinham tornado tudo muito melhor, e inexplicavelmente mais bonito.
Envelhecer ao lado de alguém é mais do que uma simples escolha, é uma dádiva. A cama nunca mais conheceria a solidão dos dias frios, a mesa sempre seria posta para dois, frente a frente que é para apreciar bem a travessia do outro depois de um árduo dia de trabalho, todas as noites os móveis da sala quase nunca utilizados receberiam visitas para o jantar, e o amor seria rotina. Uma singela, doce e agradável permanência.
Quando a gente escolhe passar o resto da vida com alguém, estamos enviando para o universo uma mensagem de fé. Colocamos nas mãos impetuosas do tempo a nossa estabilidade emocional, confiando que ele vai nos devolver todo o investimento em forma de sabedoria para aprender a sustentar uma relação a dois de verdade. E o tempo não falha.
A maturidade, a convivência, a toalha jogada em cima da cama todo santo dia, o domingo sagrado do futebol na TV, e a percepção de que algumas coisas são ínfimas e insignificantes num contexto geral para serem levadas tão a sério, desenvolvem “na marra” um lado da gente que costuma ser extremamente falho quando se é mais jovem: a paciência. Não é por menos, somos frutos de uma geração imediatista, parte integrante de uma sociedade que prefere um fast-food para alimentar a correria do dia a dia, ao invés de uma refeição saudável no restaurante que exige de você um pouco mais de tempo para saborear a refeição. Nas relações não seria diferente.
Acontece que boas histórias, aquelas com finais felizes, demandam eras de acertos e erros. Um dia a gente coloca uma pitada de discernimento, amanhã duas xícaras de tranquilidade, três anos depois finalmente entendemos que é preciso contar até 10 entre um argumento e outro durante uma briga, e 30 anos depois a nossa bagagem vai estar tão cheia de aprendizados saudáveis que a gente vai mesmo é querer viajar fundo no mundo de um alguém, só pra mostrar o tanto de coisa linda que a vida nos permitiu agregar. E acredite, você vai desejar dividir isso tudo com alguém que esteve lá, percorrendo cada ladrilho tortuoso do seu lado. Como eu disse lá em cima, amor é um ato de fé. Não existem garantias, botes salva-vidas ou máscaras de oxigênio. Nesta aventura só cabe você, ele(a), uma vontade enorme de ser feliz e o tempo.
Todas as vezes que eu vejo um casal de idosos em algum lugar sorrindo um para o outro sem dizerem nada, eu imagino que ambos estão proferindo em silêncio: obrigada por ter acredito em mim. Com o toque das mãos suave, o afago sem pressa, o olhar que se demora no semblante não mais tão jovial do outro, eles instintivamente endossam a minha história. É impossível não se deixar cativar pela sobriedade da maturidade para viver o amor. Mais bonito ainda é entender o caminho, os obstáculos e ter calma para chegar até lá.
Melhor do que ser uma pessoa mais completa, íntegra e realizada ao longo dos anos, é poder ser isso tudo ao lado de uma pessoa que respeita a nossa travessia, que nos quer bem, e que entende que a bagunça no banheiro depois do banho é um mero detalhe em um cotidiano tão recheado de cuidado. Viver é bom, namorar é ótimo, mas cair na gargalhada tentando refazer a posição 57 do Kama Sutra (que vocês eram ótimos por sinal) quando os joelhos já não respondem tão bem como nos tempos de outrora, deve ser absolutamente sensacional. Um turbilhão de sensações gostoso, desses que fazem a vida inteirinha valer a pena. É assim que as almas se reconhecem. É assim que se conhece o amor.
Danielle Daian
Fonte: http://www.casalsemvergonha.com.br/2015/05/19/porque-envelhecer-ao-lado-de-alguem/
A mulher ao seu lado é o sonho de outro...
Mulheres gostam de verdades. Mas não acreditarão fielmente de que seu celular estava sem bateria, de que seus amigos gostam dela ou de que sua ex-namorada não significa mais nada para você. Mulheres gostam de maquiagens sutis e cabelos bem lisos. Mulheres têm olhos angelicais e diabólicos. Ambos funcionarão com você. Ambos te levarão ao céu ou ao inferno. Mulheres são péssimas motoristas. Mas são ótimas condutoras.
Mulheres que não bebem são boas. Já as que bebem são ótimas. Mulher anda como quem desfila. Como quem grita por aí tua tendência a ser miss quarteirão de todos os anos. Melhor do que perfume caro é cheiro de banho tomado. E, também, o cheiro da pele suada que empresta sua essência às camisolas mais leves. Melhor do que vestidos da moda são as nossas blusas sociais sortudas. Aquelas que por algum motivo foram esquecidas na segunda gaveta e agora faz parte do cabide principal feminino.
Melhor do que cabelos alisados é rabo de cavalo ou fios inteiramente despenteados. Mulher deve dormir encolhida e acordar quase me expulsando da cama. Mulheres que xingam são mais atraentes. Mas não xingue como um ser depravado. Mulher tem que ter pudor para saber como não tê-lo nas horas certas. Mulher não precisa saber cozinhar. Mas cabem algumas tentativas frustradas.
As bonitas que me desculpem, mas lindas são as mulheres inteligentes. Mulher tem que ser interessante. Mas nunca interesseira. Imperfeições são sempre bem-vindas. Uns centímetros a mais na cintura. Uns dedos dos pés assimétricos. Um nariz fino demais para teu gosto. E uma bunda pequena demais para os padrões brasileiros. Mulher tem que ter peito. E seios também. Mulher tem que se fantasiar de homem turrão, vez em quando. Mas nunca se esquecer de lacrimejar num filme bobo – mesmo que seja assistido pela décima oitava vez. Mulher tem que saber falar “Eu te amo” e “Eu quero transar”.
Mulheres gostam de perfumes, ciúmes e gargalhadas. Mas odeiam cócegas. Cócegas a deixam vulneráveis. Mulheres gostam de toque, de voz ao pé do ouvido e de carinhos no lóbulo da orelha. Se uma mulher gosta de você, você estará lindo com tua camisa mais cara ou com tua jaqueta mais brega. Mulheres são mães e filhas. Mas nunca a trate como você se fosse seu pai. Mulheres gostam de igualdade.
Mulheres são inocentes com aqueles pseudo-amigos que – no fundo, no fundo –querem roubar seus beijos. Não discuta. Nem tente ensiná-la a maldade que passeia pela cabeça de alguns meninos. Apenas aceite que a mulher que te acompanha é o sonho de consumo de vários outros por aí – nunca se esqueça disso. Essa é a lição mais importante que você tem que aprender.
Hugo Rodrigues
Fonte: http://www.entendaoshomens.com.br/a-mulher-ao-seu-lado-e-o-sonho-de-outrem/
segunda-feira, 18 de maio de 2015
Escolha a menina...
Escolha a menina que você sente falta depois que a festa acaba, a bebida esquenta e a música para. A que você tem vontade de dormir de conchinha e sinta dó de tirar o braço dormente debaixo dela.
Escolha a menina que você gosta de conversar até de madrugada, que faz você sorrir com uma simples mensagem e que se emociona com a sua declaração de amor. A que adora ficar te olhando dirigir e que sente orgulho de estar no banco do passageiro, independente do carro que você tenha.
Escolha a menina que discorda de você, que tem manias e opiniões próprias, que admite preferir outro restaurante e que assume não gostar de Senhor dos Anéis mesmo sabendo que você é fã. Porém, respeita suas particularidades, apoia suas decisões e enxerga o mundo de um jeito que combina com a sua maneira de ver a vida.
Escolha a menina que tem o olhar mais sexy do que a saia ou o decote que usa. A que toda vez que você olha está ainda mais linda do que antes e que torne difícil a despedida no fim da noite.
Escolha a menina que você acha linda de pijama e que não precisa de lingeries caras ou ser capa da Playboy pra ser a mais sexy do mundo pra você. A que rouba a sua coberta no meio da noite e que ao acordar com frio e descoberto, você olhe pra egoísta ali toda aquecida e sinta vontade de cuidar pra sempre.
Escolha a menina que te surpreende nas pequenas coisas, que faz com que a união dos seus corpos aqueça a alma. A que consegue diferenciar os momentos de doçura dos de total entrega física, que te manda mensagens fofas e outras só para aquecê-lo até o encontro de mais tarde, mas gosta mesmo é de falar baixinho ao pé do ouvido.
Escolha a menina com quem você tem músicas junto e, principalmente, te faz começar a entender o sentido de várias outras que tocam na rádio. A menina que se esforça pra te dar um presente criativo no Dia dos Namorados, não o presente mais caro, mas o mais significativo.
Escolha a menina que te aceita do jeito que você é, com qualidades e defeitos, sem idealizações hollywoodianas. A que enxerga você além do que o resto do mundo pode ver e que você soma em vez de tentar te completar um cara que já nasceu inteiro.
Escolha a menina que é a primeira que você pensa em falar quando tudo dá errado e quando tudo dá certo, a que você corre contar sobre a demissão e sobre o novo emprego. Aquela menina que é a melhor companhia e a melhor companheira, que te acompanha na festa chique do sábado e no programa de índio do domingo.
Escolha a menina que tem um milhão de defeitos, que às vezes é chata, teimosa e difícil, entretanto, sabe pedir desculpas, reconhecer o erro e que tem incontáveis qualidades que a tornam extraordinária. Escolha a menina que te mostra que dividir a pipoca, a cama, o doce, o cobertor, o guarda chuva e todo resto só multiplica a felicidade.
Escolha a menina que sabe que só amor não é suficiente, que te impulsione pra frente e te jogue ao mundo porque sabe que vocês conseguem dar um jeito depois. A que compreende que brigas em excesso é coisa de criança, desgastam qualquer relação e que diálogo e confiança são aquelas coisinhas que fazem o amor durar.
Escolha a menina que te faz entender que todas essas afirmações clichês fazem o maior sentido e são poucas para descrevê-la. A menina que você, após ler esse texto, sentirá vontade não apenas de marcar o nome nos comentários, mas de sair correndo só para abraçá-la… A menina que não só foi escolhida, e sim escolheu estar ao seu lado.
Jéssica Delalana
Fonte: Casal sem vergonha
terça-feira, 12 de maio de 2015
segunda-feira, 11 de maio de 2015
[+] Sobre o dia das mães...
E hoje, neste dia das mães, senti aquele apertozinho no peito. Chorei vendo a homenagem às mães na igreja. Um vídeo com mães em diversos momentos com seus filhos, e eu só conseguia pensar na minha menina. Naquela que eu espero desde sempre! Na filha que eu sonho, que amo tanto sem nunca ter visto. Ah, meu bem maior, como dói esperar você! Como é agonizante ver essas mães com seus bebês e eu nem sei quando você virá. Mamãe já olha as roupas, as sandálias, os brinquedos que vou montar com você, imagino a decoração do seu quarto. Porque tem que demorar tanto minha princesa? Porque não posso ver seu sorriso? E se você é meu sonho tão distante, o que dizer do meu princepezinho? Do meu menininho? Meu denguinho que muito provavelmente vai torcer pelo time que é contra o meu, só para tirar sarro da minha cara quando meu time perder.
Não se trata de inveja, não quero o filho dos outros. Se trata de ter amor demais para dar e não poder ainda. Esse ainda dói, machuca, deixa triste. E esse dia das mães para mim foi marcado pela falta. Esse vazio que a esperança não preenche. Essa lacuna que fica sempre aberta. Esse sonho que não se realiza. Tenho certeza que pra ser completa, terei que ter filhos, terei que ser mãe.
E eu esperarei até o dia em que meus olhos e minhas mãos tocarem meu milagre. Enquanto isso, vou administrando esses dias em que o sonho é mais forte que a espera.
Contando os milhares de segundos para poder te dizer: Eu nasci só para esperar por você!
Feliz dia das mães!!!
Priscila Calheiros
terça-feira, 5 de maio de 2015
[+] Nada como um dia após o outro.
Acho que com a maioria acontece, no dia seguinte ao término, parece que nada pode ser pior que aquilo. Claro que estou me referindo aos términos traumáticos, aqueles que eu chamo de "quando um não quer, o outro sofre". Naquele tenebroso momento, não se consegue enxergar nada além do breu que se estende em nossa frente. Tudo perde a cor, o gosto, a força. As músicas de amor se tornam insuportáveis, e se for música da trilha sonora do ex-casal, quebra o que estiver tocando essa marcha fúnebre.
Cada foto, cada cartão, o papel do primeiro chocolate, a rosa murcha dentro da agenda, o CD do vídeo com as fotos de um ano de namoro, tudo vira um fragmento do pesadelo. Perceba que não se acha tudo ao mesmo tempo para jogar fora (sim, a atitude do momento é sair destruindo tudo!), as coisas vão aparecendo aos poucos. Numa gaveta, no armário, no celular, no caderno, nas prateleiras. Cada achado, uma pontada de dor.
E você não consegue pensar em nada além de: essa dor não vai passar nunca!
Daí chegam os conselheiros e mestres do amor para te dizer que vai passar, ela não te merecia, ele é um cachorro (CACHORROS NÃO MERECEM SER COMPARADOS COM GENTINHA QUE APRONTA, ISTO É UM ERRO!!!), você merece coisa melhor. O problema, pequeno probleminha, é que infelizmente, o causador da dor é a única pessoa que pode curá-la.
Nada feito! Não passa. Parece que vai roendo por dentro como um parasita que se apropria do seu corpo para sugar suas energias. Os dias passam e você se divide entre chorar e olhar para o celular, esperando algum sinal de arrependimento e um pedido de volta. Mas nada acontece além das mensagens dos amigos mandando você superar e te chamando de besta, e da operadora te ameaçando porque seu crédito está abaixo de R$ 2,00 reais e se você não inserir novos créditos, seu número será cancelado.
É difícil aceitar o fim de um relacionamento quando você resolve que está na hora de terminar, mas é quase impossível quando a decisão foi tomada pela outra pessoa ou algo aconteceu para que chegasse ao fim. Alguns sofrem menos, outros sofrem mais, cada um na sua particularidade, mas sentem sua dor. A grande questão é que o luto precisa ser vivenciado, e nada do que disserem vai mudar o que está acontecenndo naquele momento. Porém, somos nós que devemos colocar o limite ao sofrimento. Claro que, na prática, não se tem muita força para levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima. A volta que se quer dar, no máximo, é de um lado para o outro na cama.
Mas graças a Deus, a vida segue. As aulas continuam, o trabalho chama, os filhos precisam de cuidados, as compras precisam ser feitas, a casa precisa estar limpa, as contas têm que ser pagas. Nesses pequenos detalhes é que a vida continua. Uma hora você tem que levantar, tomar um banho, pentear os cabelos mesmo que sem conseguir se olhar no espelho e ir viver. Chega um momento que não dá mais para fugir. E os dias vão passando, você se torna cada vez mais ocupado e nem percebe que já não é mais Agosto, e sim, Dezembro. E que você já consegue dormir, comer, conversar. Já não fica mais com o celular na mão esperando o sinal de vida de alguém que nem lembra de você. E que já não dói tanto assim. E que no carnaval você viajou com a família e foi ultra divertido. E na páscoa você se encheu de chocolate e na Segunda-feira começou a dieta-maluca-projeto-verão-ano-que-vem. E no recesso de Junho você aproveitou bastante aquela viagem só de amigos e já consegue perceber aquela gata que te deu mole. E que a Primavera chegou novamente, porém, desta vez você precisa renovar seu guarda-roupas pois o Verão já está chegando e você quer arrasar. E no fim das contas, você nem lembra mais de quem te magoou. E nem se dá conta de que não está sofrendo mais. A ferida já está com aquela casquinha e quando molha, não arde mais. Mas se a casquinha sair, ainda sangra. Porque as feridas precisam de tempo para cicatrizar. Mas já não dói mais. Só está esperando completar o ciclo da cicatrização para só ser lembrado por uma marquinha que vai ficar, para te mostrar que, ali foi machucado, sangrou, doeu, precisou de tempo para se curar, mas agora é só uma amostra do que aconteceu, não mais a ferida aberta.
Tudo tem a hora de acabar. O sofrimento está incluído nisso. Mesmo que na hora pareça que não vai passar nunca, sempre passa. Caimos para aprender a levantar. Perdemos para ganhar algo novo. Sofremos para aprendermos a sermos felizes.
Nada como um dia após o outro.
Simplesmente, passou.
Priscila Calheiros