sábado, 24 de setembro de 2016

[+] Sobre a morte e morrer.

Dia chuvoso é dia triste, a maioria das pessoas quer ficar em casa, debaixo das cobertas para se aquecer do frio. Assistindo um filme e tomando algo quente. Mas, infelizmente, nem todo mundo consegue. Às vezes, a morte te faz levantar.
Ela chega sem avisar, como um sopro que apaga a vela, fuuuu. A morte, essa certeza inexplicável, tira de você quem você mais ama, sem nem dar tempo para despedidas. Ela leva sua pessoa sem nem deixar vocês dizerem adeus.
Sempre que alguém morre, eu sinto ainda mais vontade de escrever a respeito, pois vejo muita gente, inclusive eu, a existir e não viver. É como se não fossemos morrer, ou saber o dia certo de partir. Mas não é nenhuma coisa e nem outra, e quando alguém que amamos morre, é que a realidade disso bate em nossa porta e nos massacra, sem preliminares.
Passamos dias e dias sem dar um abraço em nossos pais, sem dizer que amamos, sem visitar nossos amigos. Depois do Whatsapp então, estar presente se tornou ainda mais escasso. Mas a morte, ela é implacável. Agora estamos aqui, rindo de algo que aconteceu há 10 anos, viramos a esquina e bum, já tem alguém chorando por nós. E mesmo sabendo disso, que a qualquer momento podemos perder quem amamos, não para vida, mas para o "nunca mais", vivemos como se fossemos eternos, aqui.
Não dá tempo de dizer "eu te amo", não dá tempo de dizer "sinto sua falta", não dá tempo de dar conselhos, aperto de mão ou abraços. Não dá tempo sequer de entender que se está morrendo. Simplesmente, se morre. E quem fica, é quem sente a dor da perda e a dor de não ter feito mais. Hoje, era para ser celebrado um nascimento, uma alegria de um novo integrante da família. Mas, infelizmente, cumpre-se o carimbo que já nasce conosco. Uma perda dupla, a qual ninguém pode contestar.
Quando falo em morte, além de repensar minhas relações, para quem não sabe, tenho Tanatofobia (medo da morte), e não da minha, mas a dos outros. Por mais longe que esteja de mim, como o caso recente de Domingos, ou mais próximo, como foi hoje, eu não sei lidar. Penso e repenso nos dias contados que meus pais e meus amigos têm, imagino como seria perder pessoas que sei que não seria fácil viver sem. Sofro mesmo, independente de ter acontecido ou não. Não sei quando começou, apenas sei que é angustiante. 
Mas, o pior, é ser confrontada sobre o que tenho feito da minha vida e quem são as pessoas que estão comigo. Como seria perdê-las? Como seria a última conversa que teria com elas? Não posso saber, e você também não pode.
O que cabe a nós, é viver. Aproveitar essa chama que nos é permitida estar acesa, já que não sabemos quando o vento será forte demais para apaga-la. Não sabemos quando só nos restará lembranças, fotos, vontades, saudades. Saberemos apenas, a dor de não ter mais, de poder ter feito algo mais, de poder ter amado mais.
Você não precisa ter Tanatofobia como eu para entender esse texto. Você só precisa estar vivo e já ter perdido alguém, para compreender do que estou falando.
Amanhã pode ser tarde demais. Amanhã, pode existir só para um de nós. Façamos valer a pena hoje!






Priscila Calheiros