quarta-feira, 11 de novembro de 2020

O que você alimenta, é o que cresce.

Liberte-se de tudo que lhe faz mal, que tira sua paz e não agrega em nada.
Deixa que o outro tome de seu próprio veneno. Deixa que o outro seja como ele é.
Enquanto a você, seja o que pode ser. E escolha bem o que carregar consigo.
Tudo é uma questão de o que temos alimentado em nós. Nem sempre é algo bom, mas, sempre há a opção de mudar.
Escolha ser livre das amarras do ódio, do peso do rancor, da ilusão da vingança. Decida plantar e regar as doces e singelas coisas da vida dentro de si.
É no florir que entendemos o processo. Não é sobre o outro. É tudo sobre nós.

Priscila Calheiros 



sexta-feira, 6 de novembro de 2020

ser mulher: morrer por dentro todos os dias

É tanta justificativa pra livrar homem da responsabilidade do estupro, até chamar o ato de "culposo" (quando não há a intenção), que a gente se questiona se de fato um dia isso vai acabar.
Ser mulher nos torna culpadas. Nossa sentença já foi dada quando nossos pais descobriram o sexo do bebê.
Podemos fazer as mesmas coisas que eles, mas, pra eles, não há punição. Isso fica conosco.
Merecemos, pedimos, fizemos por onde, a roupa, a hora, o jeito, a bebida, respirou. Sim, ser mulher é respirar e ser culpada por isso.
Ainda perguntam para quê serve o feminismo. Ainda julgam e questionam a necessidade. Ainda lamentam que ele exista, como um tal estuprador fez por esses dias.
Não podemos parar. A luta infelizmente ela é incessante. É difícil, cansativo, desgastante.
Mas é isso, acordou, vamos pra luta. Luta pela sobrevivência, luta pelo direito de ir e vir, luta para ser ouvida, respeitada, deixada em paz. Luta até mesmo para ser respeitada depois de morta.
Eu sinto muito. Eu sinto tanto. Mas eu vou continuar aqui, resistindo.
É o que me resta, é o que te resta, é o que podemos fazer.
Você, mulher, sinta-se abraçada. Saiba que eu sinto a sua dor. Somos uma só e ao mesmo tempo somos tantas.
Somos a maioria.
Resistiremos.


Priscila Calheiros