Fim de tarde
Fim de tarde. Friozinho. Filme na televisão. Juro, fazia
muito tempo que não pensava em
você. Eu andava enganando a emoção. E juro que estava
conseguindo. Estava orgulhosa de mim. Até esse bendito fim de tarde. Não, acho
que foi o frio. Pensando bem, talvez tenha sido o filme. O que importa é que
fui invadida por uma avalanche. O cara do filme tinha um sorriso igualzinho ao
seu. Na realidade era parecido. Ninguém é igual a você. Você é único. E sem
comparações. Perdoa pelo equívoco. Ele tinha um sorriso que lembrava o seu.
Ficou melhor assim. Nesse minuto a avalanche me pegou. Que saudade de você!
Será que dá pra voltar no tempo? Mais uma maluquice minha, não podemos voltar
no tempo, sei disso. Mas eu queria. Eu quero. E não pode. Não foi o fim de
tarde, nem o frio, nem o filme. Sou eu. Eu que tento me passar à perna. Fica
mais fácil assim. Dá pra levar assim. É mais simples assim.
Eu já disse que você é único? Vou repetir: ú-n-i-c-o. Ninguém chegou no lugar
que você ocupou. E talvez ninguém chegue. Já valeu a pena por isso. Em todo
caso, se der pra voltar no tempo, liga pra mim.
Para todos os amores errados, pág. 51 – Clarissa Corrêa.
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