sábado, 30 de maio de 2015

[+] A gente cresce e entende (ou não) o que realmente importa.

Chega um momento na vida que tudo cansa. Sair, curtir, farrear. E você percebe que ficar em casa é tão ou mais legal que estar por aí.
No meu caso, sempre gostei muito de ficar em casa. O problema é que, na minha adolescência, minha mãe não me deixava sair. Nem sozinha, nem com amigos, nem com mãe de amigas, muito menos com namorado. Daí meu sonho de consumo se tornou sair, sair, sair. Festa, festa, festa. Aproveitar cada segundo longe de casa. Nas férias quando viajava com meu pai, eu não queria nem dormir para aproveitar ao máximo. Mas o que eu queria mesmo era ir para festas, dançar, aproveitar com minhas amigas. Nunca fui de namorar muito, nem gostava de bebidas alcóolicas, então o que eu queria mesmo era me divertir. E nunca pude.
Fui crescendo e já adulta, me permitia fazer as coisas que gostava, aproveitei bem pouco essas badalações, mas aproveitei. Não mudou muito a questão de minha mãe deixar ou não as coisas (o que ela continua fazendo até hoje, mas isso é assunto para outra prosa), porém, fui tomando as rédeas da minha vida.
Só que quando realmente eu podia fazer e acontecer, eu estava cansada demais, sem dinheiro ou qualquer coisa do tipo. Com o amadurecimento você percebe que nem tudo é estar todo fim de semana em alguma balada. A vida não se resume a uma bebida. "Pegar" várias (os) em uma noite só quer dizer que você não amadureceu o suficiente para estar com uma pessoa importante ou que você é carente demais e precisa estar com todos (as) para tentar suprir isso. Que não temos que fazer o que os outros fazem só para ser parte do grupo. A vida vai além disso!
Ficar em casa no sábado à noite assistindo um filme também é legal. Ir para o cinema (que eu adoro!!!) é um programa divertido. Curtir o friozinho ao lado do namorado debaixo das cobertas também é uma delícia. Aproveitar uma noite do pijama para colocar os assuntos em dia, viajar pra um interior com os amigos, pedir uma pizza na Sexta à noite, ir numa danceteria mais reservada, sair para tomar sorvete, ir à praia, fazer um almoço em família, também são opções maravilhosas.
Chega uma fase que nossos anseios mudam, nossas necessidades, nosso pensamento evolui, e nos damos conta de que aquelas coisas que antes eram essenciais, hoje não passam de um hobby antigo.
Vai caindo a ficha de que as coisas pequenas são as mais significativas. Não estou dizendo que badalar seja errado. Eu sou à favor do "faça o que te faz feliz, SE NÃO INVADIR O ESPAÇO DO OUTRO", então se você é feliz desse jeito, vá em frente.
Mas, com toda certeza, esse palco que é a vida merece um espetáculo. Isso aqui é muito mais do que nossos olhos podem ver. Isso aqui, é cada fragmento vivido que levaremos conosco para onde formos, sem direito a arrependimentos.
E quando nos damos conta, crescemos. Viramos adultos, cada vez mais exigentes, mais seletivos, mais ocupados, mais, mais, mais.
O tempo é implacável. As prioridades mudam. Nós mudamos no mundo e o mundo muda para nós. Então, nos perdemos nesses rascunhos que duram apenas uma noite, uma transa, um frio na barriga que dura segundos, falsos amigos, bebedeiras e fotos falsas nas redes sociais, e deixamos de viver o que realmente importa e nos faz feliz.
Quando percebemos e vamos tentar passar o rascunho a limpo, já perdemos tempo, pessoas, oportunidades, momentos que não voltam, saúde. A vida acaba como o vento que apaga a vela e dá a oportunidade do ator principal para outra pessoa. Porque você estava apenas sendo espectador de sua própria vida, ensaiando, quando deveria estar interpretando o papel principal e garantindo o oscar de melhor ator.
Existir é bom, mas viver é maravilhoso.
Ser alegre em todas as oportunidades é legal, mas ser feliz na vida é plenitude.
Priscila Calheiros

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