terça-feira, 11 de agosto de 2020

Silêncio é a forma lúcida de viver.


Eu aprendi desde muito nova que a razão se cerca do silencio; quando lhe gritam esperando que você grite de volta, quando te criticam esperando que você esbraveje, quando os insultos te sufocam a ponto de você se tornar como quem o insultou.
É preciso muita hombridade e elegância para se calar quando, dentro de nós, há a necessidade de explodir. Sim, somos humanos e quase nunca nosso instinto corre pro lado bom. É no obscuro de nós que ele se lança. Cabe a cada um cultivar o que há de bom em si e galgar a serenidade tão necessária para se manter equilibrado neste mundo barulhento.
Precisamos lembrar que cada um dá aquilo que tem, e não importam as circunstâncias, somos nós que escolhemos o que oferecer.
É um exercício diário calar-se, ouvir mais e falar menos, observar mais o íntimo do que o externo. Todos os dias.
Mas, no fim das contas, é muito satisfatório ser a calmaria que não devolve a turbulência, a brisa suave que não adentra a tempestade. É apenas sobre esperar passar e seguir em frente.
Construa em silêncio, sim, mas acima de tudo, se construa em silêncio. O encontro mais espetacular da vida é conosco mesmo. Tudo ao redor são apenas ônus ou bônus. O imprescindível está aqui, dentro.
Silêncio também é resposta. Silêncio é fonte de sabedoria.
Silêncio é a forma lúcida de viver.

Priscila Calheiros

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