Ontem 24/08/2017, cheguei em casa
por volta das 13:30h mais ou menos e vi umas pessoas postando sobre luto,
imaginei que tivesse acontecido algo grande, já que não seria comum tanta gente
perder alguém no mesmo dia. Até então, estava sem celular e sem nenhum meio de
informação. Foi quando liguei o computador e dei de cara com essa notícia
triste... Até aquele momento, já eram 18 mortos.
A travessia entre Salvador e Mar Grande é tão comum como acarajé ser a comida típica que representa a Bahia. Pelo que li, não foram mais que 10 minutos da saída da embarcação até que naufragasse. Não deu tempo nem de chegar em alto mar... 10 minutos! Muita gente trabalha, estuda ou vem resolver alguma coisa em Salvador e precisa fazer essa travessia todos os dias.
O desespero dessas famílias ao saberem que os seus poderiam estar no meio das estatísticas... A imagem do socorrista do SAMU carregando um bebê! Meu Deus, um bebê!
É muito triste e nós aqui, estamos arrasados. A Bahia está de luto.
Levei um choque quando soube, principalmente porque há mais ou menos um ano atrás eu e meu pai fizemos essa mesma travessia. Acabamos de almoçar e meu pai todo animado perguntou se eu já tinha ido em Mar Grande, e como eu nunca havia ido lá ele perguntou se eu topava ir, e eu claro, aceitei na hora. O tempo estava nublado, mas como estávamos empolgados, ele por me deixar feliz e eu por ver ele realizado, fomos. Lembro bem que meu pai ainda disse: "Apesar do tempo nublado, não é perigoso já que eles estão liberando a travessia". Tecnicamente, era verdade, já que eles têm mecanismos para saber se há ou não condições de embarcar.
Em alto mar, uma parte estava chovendo e, provavelmente, agitou o mar, que não se fez de rogado e começou a balançar o barco. Foi quando me dei conta de que a água estava entrando, devido às ondas que estavam se formando. Subimos, descemos, e foi aí que a ficha caiu de que não havia um cinto de segurança sequer. Você senta no banco que é preso ao chão do barco, segura na mão de Deus e vai. Apesar do susto, chegamos em Mar Grande bem e voltamos melhor ainda, já que na volta nada aconteceu. Lembro bem que eu olhava para Salvador, aquela imagem linda se afastando, me perguntando como as pessoas tinham coragem de andar naquilo com frequência, olhava para meu pai e me sentia confiante pela alegria dele em estar me levando naquele passeio legal e, de certa forma, pela representação de segurança que ele me passa. Ao mesmo tempo, meio desesperada, imaginava o que seria da gente se aquele barco tão indefeso em meio a tanta água virasse.
Depois que passa a gente nem lembra mais, a sensação que ficou foi da parte divertida. Com esse naufrágio, com essas pessoas mortas, a imagem do que poderia ter nos acontecido veio de volta. Graças a Deus conosco ocorreu tudo bem, mas ontem, com a embarcação Cavalo Marinho I, não.
Quero pedir a você, que acredita em alguma coisa, interceda por essas famílias. Mandem pensamentos positivos e de fé, independente de sua crença ou de onde você more. Somos todos baianos nessa hora. Somos todos náufragos. Somos todos família dessas vítimas, do pai que carregou o corpo de seu filho, dessas mães que perderam seus bebês, desses seres humanos que perderam seus entes queridos. Que o Espírito Santo de Deus, o consolador, dê conforto e refrigério a essas famílias e amigos que carregam suas dores nesse momento.
Luto, Salvador. Luto, Mar Grande. Luto, Bahia.
Meus sentimentos.
A travessia entre Salvador e Mar Grande é tão comum como acarajé ser a comida típica que representa a Bahia. Pelo que li, não foram mais que 10 minutos da saída da embarcação até que naufragasse. Não deu tempo nem de chegar em alto mar... 10 minutos! Muita gente trabalha, estuda ou vem resolver alguma coisa em Salvador e precisa fazer essa travessia todos os dias.
O desespero dessas famílias ao saberem que os seus poderiam estar no meio das estatísticas... A imagem do socorrista do SAMU carregando um bebê! Meu Deus, um bebê!
É muito triste e nós aqui, estamos arrasados. A Bahia está de luto.
Levei um choque quando soube, principalmente porque há mais ou menos um ano atrás eu e meu pai fizemos essa mesma travessia. Acabamos de almoçar e meu pai todo animado perguntou se eu já tinha ido em Mar Grande, e como eu nunca havia ido lá ele perguntou se eu topava ir, e eu claro, aceitei na hora. O tempo estava nublado, mas como estávamos empolgados, ele por me deixar feliz e eu por ver ele realizado, fomos. Lembro bem que meu pai ainda disse: "Apesar do tempo nublado, não é perigoso já que eles estão liberando a travessia". Tecnicamente, era verdade, já que eles têm mecanismos para saber se há ou não condições de embarcar.
Em alto mar, uma parte estava chovendo e, provavelmente, agitou o mar, que não se fez de rogado e começou a balançar o barco. Foi quando me dei conta de que a água estava entrando, devido às ondas que estavam se formando. Subimos, descemos, e foi aí que a ficha caiu de que não havia um cinto de segurança sequer. Você senta no banco que é preso ao chão do barco, segura na mão de Deus e vai. Apesar do susto, chegamos em Mar Grande bem e voltamos melhor ainda, já que na volta nada aconteceu. Lembro bem que eu olhava para Salvador, aquela imagem linda se afastando, me perguntando como as pessoas tinham coragem de andar naquilo com frequência, olhava para meu pai e me sentia confiante pela alegria dele em estar me levando naquele passeio legal e, de certa forma, pela representação de segurança que ele me passa. Ao mesmo tempo, meio desesperada, imaginava o que seria da gente se aquele barco tão indefeso em meio a tanta água virasse.
Depois que passa a gente nem lembra mais, a sensação que ficou foi da parte divertida. Com esse naufrágio, com essas pessoas mortas, a imagem do que poderia ter nos acontecido veio de volta. Graças a Deus conosco ocorreu tudo bem, mas ontem, com a embarcação Cavalo Marinho I, não.
Quero pedir a você, que acredita em alguma coisa, interceda por essas famílias. Mandem pensamentos positivos e de fé, independente de sua crença ou de onde você more. Somos todos baianos nessa hora. Somos todos náufragos. Somos todos família dessas vítimas, do pai que carregou o corpo de seu filho, dessas mães que perderam seus bebês, desses seres humanos que perderam seus entes queridos. Que o Espírito Santo de Deus, o consolador, dê conforto e refrigério a essas famílias e amigos que carregam suas dores nesse momento.
Luto, Salvador. Luto, Mar Grande. Luto, Bahia.
Meus sentimentos.
Priscila Calheiros

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