Tinha esquecido como mudança (de casa) incomoda. É aquele transtorno de tira daqui, embala dali, arranca daqui, encaixa ali. Você não sabe onde está nada, além da sua escova de dentes que, por precaução, você deixa na sua bolsa para não se perder entre os destroços. Sim, fica tudo destroçado.
Mudança vem da palavra mudar, e mudar sempre requer sacrifício.
Algo fica pelo meio do caminho, ou fica por um tempo guardado. Depois de mudar, ainda tem a parte chata de procurar em que caixa você colocou a xícara. Mudança, traz aquela confusão de onde estão as coisas, assim como nossa mudança interna, os sentimentos ficam bagunçados.
E aí a gente olha para aquela roupa que estava sem uso no guarda-roupas há tanto tempo, e que no momento nem lhe serve mais, mas com certeza vai servir para outra pessoa. Aquele esmalte que nem consistência tem mais, mas estava guardado em meio aos outros trilhões de novos que você sempre usa. Você acha aquela louça do tempo da sua avó, que pode ser até uma lembrança que você guarda com carinho, mas em nada combina com sua cozinha ou até mesmo você só usa de enfeite.
Nos damos conta de quanta tralha guardamos, um monte de coisa que nem tem necessidade, só nos serve para acumular e atrapalhar.
Mudança requer deixar a casca para trás, estrutura de paredes que você já está acostumado, remanejar móveis, se adaptar as novas paredes. Mas também, te dá novos horizontes, uma decoração diferente, uma sala mais arejada, cozinha mais espaçosa.
Mudança dá trabalho, desanima, tira tudo do lugar, literalmente faz você sair da zona de conforto. Mas é necessário, é evolução, é crescimento.
Arrumar as coisas, embalar, guardar, remover, recolocar é ruim. Porém, acredito que pior seja ficar estagnado no problema ou na mesmice, e deixar de viver. Afinal, a vida é uma constante mudança, não é?
Estava falando sobre mudança de casa ou de vida? Das duas. Uma linha tênue as separa. Uma decisão as une.
Priscila Calheiros
Maravilhosa !!! 👏👏❤🌸🙌
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