Depois de algumas dores e desamores, descobri que o que realmente chama atenção em mim é o meu lado estranho. É exatamente aquela parte que eu tento esconder. Minha parte fraca, humana, assustada, em chamas. Todas as minhas fraquezas reunidas fazem um barulho enorme. Aquelas risadas estrondosas e meu jeito desengonçado de andar, meu olhar de raiva, minha boca quando abre de espanto. Meu estranho hábito de me apertar quando estou nervosa, deixando marcas vermelhas em minha pele amarela. Ah sim, isso também chama bastante atenção, a falta de pigmentação do meu ser. O fato de falar sozinha e discutir comigo mesma, chorar escondido, cantar no chuveiro, dançar quando ninguém está olhando. Ler 5 livros ao mesmo tempo sem conseguir chegar ao final de pelo menos 1, escrever meu nome em tudo, rasgar papel quando estou com raiva e repetir pra mim mesma que eu não posso deixar de fazer algo.
São todas as minhas diferenças que me tornam especial, alguém que implora pra ser invisível mas se parece mais com letreiros de neon. O que me torna incrível é o fato de não ser como os outros, fazer diferente, andar pelos lugares que as pessoas não querem andar.
Mas andei muito para chegar até aqui. Passei muito tempo achando que eu era estranha e isso afastava as pessoas de mim, mas era o contrário, eu que as afastava por medo de entender o que eu realmente era e o que eu realmente tinha. Porque sou algo grande demais, que brilha demais e isso me assustava. Mas hoje eu vejo que sou única pelo simples fato de ser eu. Porque aprendi com minhas frescuras e estranhezas que eu sou bem melhor por ser assim, por carregar essa mala cheia de neuras e simplesmente viver.
No fim das contas é o que realmente importa. Seguir em frente, se respeitando e se jogando na vida. Porque a vida, essa sim é cheia de coisas estranhas.
Priscila Calheiros
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