Amar é para quem tem coragem. Para aquelas pessoas que sabem que há o risco de não ser recíproco, mas ama. Se joga, vive intensamente. Aproveita cada segundo, como se fosse o último da vida. Só ama, e ponto.
Há certas situações que eu não sei o que pensar. Fica tudo tão confuso e nublado que a única opção é respirar. Andar sem olhar para trás. Mas e quando o que tem lá atrás é o amor da sua vida? E quando lá atrás tem a chave que abre a porta da felicidade? Dá uma vontade louca de voltar, mesmo que seja pra catar os cacos e tentar refazer, reconstruir. Você até imagina meios para perdoar, coloca o amor em primeiro lugar e entende que é melhor ser feliz do que viver por viver. Só que aí você entende também que um só amar não é o suficiente, um só querer não faz acontecer. E você se pergunta porque? Pra que? Até onde as coisas podem ir? Até onde você é forte para aguentar? E principalmente, até quando você pode esperar?
E respondendo a todas essas perguntas uma única resposta: de nada adianta esperar por alguém que não quer voltar. E é tão difícil ver a pessoa que a gente ama desistindo de nós, andando em outra direção. Dizendo pra gente ser feliz com outro, que a gente seja feliz sem ele. E como é que se consegue isso? Deveria existir manual com o passo-a-passo.
Queria que ele lutasse, tivesse forças pra sair do que quer que prenda ele, que fizesse acontecer, que movesse céus e terras por mim, por nós. Queria que pra ele, por mim valesse a pena. Queria que ele tivesse coragem pra largar tudo e ser feliz comigo. Mas ele não fará nada disso porque não existe amor nele. Não por mim. O amor é só meu, tão grande e tão impotente nessas horas! Então eu faria tudo isso por ele, mas ele não faria por mim. Ele não faria por ele.
E o que resta é andar, seguir em frente, talvez sem olhar pra trás, só sentindo a dor de vez em quando. Só esperando ela passar. E deixar que ele siga pelo caminho dele, com a vida que ele escolheu. Mas porque meu Deus, é tão difícil? Tão doloroso deixar ir? Porque a gente sempre espera que não vá, que aconteça como nas novelas que o cara chega no aeroporto e pede a ela pra não ir embora porque ela é a mulher da vida dele? Porque? Que amor é esse que não cansa, que espera até mesmo quando há a certeza de que não tem pelo que lutar, que quer ter mesmo que não seja amado também?
Muitas perguntas, nenhuma resposta. Uma estrada longa a seguir, sem a mão dele pra segurar. Tudo tão calmo por fora e por dentro um alvoroço. Tudo tão perdido, quebrado, ferido. E um sorriso estampado no rosto, mostrando que está tudo bem e que nada mais importa, enquanto por dentro a casa está vazia, sem cores e com o cheiro da fantasia de um amor que só existiu na ilusão.
Acabou. A espera, a preparação, a alegria, a certeza do que era bom, a magia, o encanto, as boas lembranças, o carinho, a proteção. Só não acaba o amor, esse já se mostrou inabalável.
Tenho que deixar ele ir, ninguém pode viver pela metade. Vai e não volta mais, porque em toda volta vou esperar que fique. E eu não mereço esperar, principalmente por alguém que quer ficar por lá.
Priscila Calheiros
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