Como é grande o meu amor por mim mesma.
Antes de ontem, estava assistindo a um programa na
televisão, que terminou da seguinte forma: A personagem dizendo que iria
escrever um livro cujo tema seria “Como é grande o meu amor por mim mesma.”.
Na mesma hora digitei essa frase porque sabia que daria um
texto legal. E caiu como uma luva para meu momento.
Sabe aqueles momentos em que você esta um lixo, um nada, uma
porcaria? É exatamente deste jeito em que eu me encontrava até uns dias atrás.
Alguns amigos meus sabem que eu to assim quando minhas unhas ou minhas
sobrancelhas não estão feitas, ou os dois não estão feitos.
E eu me perguntei, porque eu estou sofrendo? E eu mesma
respondi: porque eu sou uma idiota, que fico nervosa e ansiosa e começo a comer
que nem uma desesperada, que me jogo as traças, esqueço o que é maquiagem,
minhas unhas coitadas, lascam de tanta fraqueza e meu cabelo, sem comentários,
esse tem vida própria, um estilo “acaba com a dona”. Enquanto que ele esta lá,
sendo feliz com ela, deve ta bem, arrumado, vivendo numa boa. Ela deve estar
muito bem arrumada, produzida, feliz e contente com o amadinho do lado. Ok!
Quem é que se estrepa na história? EU, eu e somente eu.
Porque desisti de viver, desisti de ser eu, desisti de ser
feliz. Porque o tempo ta passando e ele reconstruiu a vida dele, e eu parei no
tempo, esqueci o que é ser feliz, não sinto mais alegria, mais vontade pelas
coisas. Há quanto tempo eu não desenho? Há quanto tempo eu não vou a uma festa
e danço até não agüentar mais? Há quanto tempo eu não saio com minhas amigas
pra falar besteira? Quanto tempo eu não consigo terminar um livro? Quanto tempo
eu não vou a uma praia? É desesperador me tocar que a vida esta passando e eu
to perdendo as melhores coisas dela. Nesse tempo todo, eu conto nos dedos
quando eu aproveitei alguma coisa, de algum momento. Quando eu passei uma tarde
toda rindo, sem me preocupar com o que vem depois.
Eu sofro por antecipação, eu não vivo o agora e nem o
futuro. Vivo no passado. Naquele maldito passado. Passado esse que teve suas
coisas boas, mas que já passou. E eu preciso entender que já passou e não volta
mais. E que mesmo que eu reencontrasse com as mesmas pessoas, não poderia viver
as mesmas coisas. Porque as pessoas mudam, evoluem e regridem, porque os
lugares mudam, as vontades mudam e nós mudamos o tempo todo. Eu preciso mesmo
entender. Entender que eu mudei, que por mais que eu insista em viver no
passado, eu estou no presente e se eu não fizer nada, meu futuro vai ser aquela
merda bem merdada!
Cadê aqueles brincos grandes? Cadê aquela maquiagem
fechação? Cadê aquelas gargalhadas? Cadê a zoação com os outros? Cadê a minha
alegria? Cadê eu? Boas perguntas. Boas perguntas merecem boas respostas. Eu
estou aqui, minha maquiagem esta ali guardada, meus brincos grandes também, as
gargalhadas estão aqui dentro de mim, a zoação está aqui na ponta da língua,
minha alegria ta aqui dentro, escondida, mas está. Esta tudo no lugar certo, eu
é que não estou usando nada disso.
Mas hoje decidi que acabou, acabaram as lágrimas, acabou o
sofrimento, acabou o desânimo, a falta de alegria, a falta de amor próprio.
Acabou a auto-piedade, a vida sem graça, a desilusão amorosa, a lembrança
daquele beijo, a lembrança daquele abraço, acabou o sentimento, acabaram as
nossas músicas, agora são só minhas, acabaram as ilusões, as idas nos perfis
das redes sociais. Acabou tudo. Tudo que for relacionado a ele e a sofrimento.
Acabou o meu amor por você, ser desprezível que me prometeu amor e me deu
lágrimas. Acabou o meu grande amor por você. Começou o meu grande amor por mim
mesma. Começou o meu melhor sorriso, começou minhas unhas bem feitas, meus
cabelos arrumados (porque quem manda sou eu!), começaram meus momentos de
loucura, minhas gargalhadas altas, aquelas que incomodam bastante, minhas
saídas animadas e meus abraços pra quem merece. Que meus melhores sonhos
ressurjam das cinzas, que meu cérebro registre apenas o que for bom. Que comece
a brotar de novo aquele amor que me fortalece, aquela alegria que gera
sorrisos, aquele olhar que encanta. Que eu renasça em mim, que eu volte a me
amar, que eu volte a ser feliz mais ainda do que eu era quando... Quando o que
mesmo? Sei lá, quando algum traste entrou na minha vida e me mostrou o quão na
merda eu posso ficar se eu amar alguém mais do que me amar e o quão melhor eu
posso voltar disso tudo. E que eu nunca esqueça de me declarar: “Mas como é
grande, o meu amor, por mim!”.
Priscila Calheiros.
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