quinta-feira, 16 de agosto de 2012

[+] Há +/- 3 meses atrás...


Como é grande o meu amor por mim mesma.



Antes de ontem, estava assistindo a um programa na televisão, que terminou da seguinte forma: A personagem dizendo que iria escrever um livro cujo tema seria “Como é grande o meu amor por mim mesma.”.
Na mesma hora digitei essa frase porque sabia que daria um texto legal. E caiu como uma luva para meu momento.
Sabe aqueles momentos em que você esta um lixo, um nada, uma porcaria? É exatamente deste jeito em que eu me encontrava até uns dias atrás. Alguns amigos meus sabem que eu to assim quando minhas unhas ou minhas sobrancelhas não estão feitas, ou os dois não estão feitos.
E eu me perguntei, porque eu estou sofrendo? E eu mesma respondi: porque eu sou uma idiota, que fico nervosa e ansiosa e começo a comer que nem uma desesperada, que me jogo as traças, esqueço o que é maquiagem, minhas unhas coitadas, lascam de tanta fraqueza e meu cabelo, sem comentários, esse tem vida própria, um estilo “acaba com a dona”. Enquanto que ele esta lá, sendo feliz com ela, deve ta bem, arrumado, vivendo numa boa. Ela deve estar muito bem arrumada, produzida, feliz e contente com o amadinho do lado. Ok! Quem é que se estrepa na história? EU, eu e somente eu.
Porque desisti de viver, desisti de ser eu, desisti de ser feliz. Porque o tempo ta passando e ele reconstruiu a vida dele, e eu parei no tempo, esqueci o que é ser feliz, não sinto mais alegria, mais vontade pelas coisas. Há quanto tempo eu não desenho? Há quanto tempo eu não vou a uma festa e danço até não agüentar mais? Há quanto tempo eu não saio com minhas amigas pra falar besteira? Quanto tempo eu não consigo terminar um livro? Quanto tempo eu não vou a uma praia? É desesperador me tocar que a vida esta passando e eu to perdendo as melhores coisas dela. Nesse tempo todo, eu conto nos dedos quando eu aproveitei alguma coisa, de algum momento. Quando eu passei uma tarde toda rindo, sem me preocupar com o que vem depois.
Eu sofro por antecipação, eu não vivo o agora e nem o futuro. Vivo no passado. Naquele maldito passado. Passado esse que teve suas coisas boas, mas que já passou. E eu preciso entender que já passou e não volta mais. E que mesmo que eu reencontrasse com as mesmas pessoas, não poderia viver as mesmas coisas. Porque as pessoas mudam, evoluem e regridem, porque os lugares mudam, as vontades mudam e nós mudamos o tempo todo. Eu preciso mesmo entender. Entender que eu mudei, que por mais que eu insista em viver no passado, eu estou no presente e se eu não fizer nada, meu futuro vai ser aquela merda bem merdada!
Cadê aqueles brincos grandes? Cadê aquela maquiagem fechação? Cadê aquelas gargalhadas? Cadê a zoação com os outros? Cadê a minha alegria? Cadê eu? Boas perguntas. Boas perguntas merecem boas respostas. Eu estou aqui, minha maquiagem esta ali guardada, meus brincos grandes também, as gargalhadas estão aqui dentro de mim, a zoação está aqui na ponta da língua, minha alegria ta aqui dentro, escondida, mas está. Esta tudo no lugar certo, eu é que não estou usando nada disso.
Mas hoje decidi que acabou, acabaram as lágrimas, acabou o sofrimento, acabou o desânimo, a falta de alegria, a falta de amor próprio. Acabou a auto-piedade, a vida sem graça, a desilusão amorosa, a lembrança daquele beijo, a lembrança daquele abraço, acabou o sentimento, acabaram as nossas músicas, agora são só minhas, acabaram as ilusões, as idas nos perfis das redes sociais. Acabou tudo. Tudo que for relacionado a ele e a sofrimento. Acabou o meu amor por você, ser desprezível que me prometeu amor e me deu lágrimas. Acabou o meu grande amor por você. Começou o meu grande amor por mim mesma. Começou o meu melhor sorriso, começou minhas unhas bem feitas, meus cabelos arrumados (porque quem manda sou eu!), começaram meus momentos de loucura, minhas gargalhadas altas, aquelas que incomodam bastante, minhas saídas animadas e meus abraços pra quem merece. Que meus melhores sonhos ressurjam das cinzas, que meu cérebro registre apenas o que for bom. Que comece a brotar de novo aquele amor que me fortalece, aquela alegria que gera sorrisos, aquele olhar que encanta. Que eu renasça em mim, que eu volte a me amar, que eu volte a ser feliz mais ainda do que eu era quando... Quando o que mesmo? Sei lá, quando algum traste entrou na minha vida e me mostrou o quão na merda eu posso ficar se eu amar alguém mais do que me amar e o quão melhor eu posso voltar disso tudo. E que eu nunca esqueça de me declarar: “Mas como é grande, o meu amor, por mim!”.



Priscila Calheiros.

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