Tem dores que a gente não consegue suportar. Tem nãos que são como
espadas entrando em nossa carne. Tem adeus que nos mata, mesmo que a gente
continue vivo.
Acho que minha imaturidade não me permite superar, sabe? Eu sinto
e pronto. E sangro, e me acabo, e me desgasto.
Engraçado como numa semana, o amor é tudo que nos move, nos
encoraja, nos dá forças para qualquer coisa. Na outra, o mesmo amor que te
fazia ser forte te despedaça em micro fragmentos, e você nem sabe por onde
começar a catar. Você não sabe nem se quer mais catar, pois já recolheu tantas
vezes que prefere deixar tudo no chão, espalhado, pra ver se ninguém bagunça
mais.
Tem dias que a gente quer voar por aí gritando pros quatro cantos
que amamos e somos amados. Que nada pode nos parar, somos invencíveis. Tem dias
que, além de estarmos com as asas quebradas, não temos voz pra gritar, alguém
pra nos amar e nem amor para nos amar, cuidar dos próprios hematomas de mais
uma queda na vida.
Dizem por aí que amar dói, mas o que dói de fato é amar alguém que
não te ama. É amar alguém que não é forte o suficiente para ficar ao seu lado.
E pior, dói é amar alguém que não acredita no seu amor.
Tem dores que vem para nos ensinar. Outras, para nos
moldar. Mas, tem dores, que vem para nos fazer entender de uma vez por todas
para onde não devemos voltar. Em todas elas, o mais indicado a se fazer é aprender.
Priscila Calheiros

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