domingo, 19 de abril de 2015

[+] O Outono em nós...

Nunca fui muito amigável do Outono. Muito menos do Inverno. Sempre me soou como um tempo de fraquezas, frio, tristeza. Não gosto de coisas nem pessoas nubladas. Mas, como na natureza há as quatro estações, em nossas vidas também passamos por isso. Da mesma maneira, nossas folhas secam, caem, os galhos ficam entre o viver e o morrer. Nossa alma começa a se preparar para o frio que virá, para se encolher em si mesma como uma maneira de se proteger. O vento vem soprando forte e nós temos que nos segurar.
No Outono ficamos secos como as folhas, e bate a incerteza do amanhã. Mesmo quando sabemos que depois da tempestade vem a calmaria, que depois das folhas secas e do frio, vem as flores, é difícil passar por essa estação.
E, assim como nas árvores, temos que encontrar a beleza em nossa sequidão. Nesse momento somos moldados, somos despidos das flores e dos frutos, para que sem complementos possamos nos enxergar como realmente somos. Não é fácil secar. Nem morrer. Nem sentir frio. Sem quebrar os galhos secos. Nem perder a folhagem. Nem deixar de dar frutos. Mas é necessário perder, pra aprender a ganhar. É necessário que tudo se vá, para que haja a renovação.
Se desfaça do que tiver que se desfazer, deixe ir o que tiver que ir. O velho precisa ir para que o novo chegue. Devemos deixar a terra limpa, fértil, pronta para o renascimento.
Se deixe secar, para em breve poder florescer.
Nenhuma estação, por mais triste ou difícil que pareça, dura para sempre. Em nossas vidas também não.
Priscila Calheiros

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