Uma das coisas mais
vorazes que vejo no meu dia-a-dia de atendimento clínico como terapeuta é
a CULPA fazendo estragos na vida de várias pessoas. Aquela sensação
paralisante de tentar convencer sua mente de que "ah, se soubesse"; "ah,
se eu pudesse voltar"... E isso vira um chiclete mal mastigado que suga
todas as suas forças - nesta ruminação sem fim do passado. Vejo Câncer,
Depressão, Fobias, e vários transtornos psíquicos e físicos nesta raiz da solidão-culposa.
O que estas pessoas parecem desconhecer é que o sentimento de culpa
prova que elas não são pessoas ruins ou psicopatas, e que de certa forma
evoluíram pela dor do remorso de ter ou não ter feito algo. Com certeza
se a pessoa culpada voltasse no tempo, com aquela mesma mentalidade
antiga e opções que tinha, repetiria o mesmo ato que virou culpa. "Era o
que se podia fazer com o que se sabia!!!!".... Se ela voltasse no tempo
faria exatamente a mesma coisa. A prova da evolução é o próprio
sentimento culposo, que deveria ser entendido agora como um: "ah, agora
aprendi e farei diferente caso no futuro algo semelhante me venha". Mas
parece melhor o rótulo do culpado, que do de preparado para novos
desafios. Toda culpa é inútil e débil, e conduz quem flerta com ela a um
abismo muitas vezes sem volta. A culpa é o primeiro alarme para a
faxina e para a reforma íntima, que geram nossa evolução e auto-cura.
Desejo que hoje, se este pequeno texto te fez algum sentido, que
agradeça por ter sentido culpa, pois isso prova que amadureceu e se
arrepende, e faça de seu presente um verdadeiro presente do tempo. Deixe
a culpa ir... E perceba que as portas vão se abrir, e você vai notar...
Quantos anjos estiveram e estão ai, mas sua culpa não os deixava entrar
em sua vida.
(Jordan Campos)
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