sexta-feira, 14 de março de 2014

[+] Não ter dói demais, esquecer é quase impossível.

Depois de tudo o que aconteceu as coisas só pioraram. O convívio com algumas pessoas têm se tornado mais do que difícil e com o passar do tempo venho descobrindo quão terríveis as pessoas que dizem nos amar podem ser. Há alguns meses atrás talvez já fosse tudo tão difícil como agora, porém eu tinha alguém em quem eu confiava. Sempre havia aquela dorzinha dos problemas enormes que aterrorizam minha vida, mas sempre havia a hora de pegar o roteiro e ele estar lá me esperando, ou me esperava na passarela, ou na sala e nada mais doía ou machucava. Porque ele existia em minha vida. Ele me completava. Ele era a força que me fazia ir adiante. Podia ficar tudo escuro, eu podia chorar toda uma noite, mas sabia que no dia seguinte minha "cura" viria.
Até que ele virou a minha dor, e nada do que eu faça ameniza ou anula isso. E agora, a quem recorrer? Ele prometeu não deixar nada de mal me acontecer, prometeu estar comigo em todos os momentos e onde ele está agora? Insistindo em uma relação doentia, suja, desleal, infeliz. E pior, me deixando sem a força que me mantinha de pé.
Como é complicado viver sem determinadas pessoas. Porque elas se tornam parte de nós, como um braço ou uma perna. Sempre é terrível ficar sem alguma parte essencial da gente. E ele era essencial pra mim. Era a cor da minha vida, o encanto dos meus dias e das minhas noites, era o cumprimento da promessa de felicidade pra mim. Ele era meu tudo, meu amigo, meu amor, meu desejo, minha esperança. Ele era o melhor de mim. Me tirava dos piores pesadelos, me fazia ser a mulher mais ingênua e a menina mais mulher do mundo. E agora, quem vai preencher esse vazio? Quem vai me dizer que vai ficar tudo bem quando essa dor insuportável, que me destrói por ouvir coisas terríveis de quem deveria querer o meu melhor e cuidar de mim, invadir meu coração e minha mente? Quem vai cuidar quando eu estiver assim sangrando?
Só queria que tudo tivesse sido um pesadelo, uma brincadeira de mal gosto e que ele aparecesse e me dissesse que nada separaria a gente e que ele estava ali e a dor ia passar. Só queria ser o bastante, ser o suficiente, ser o motivo pelo qual ele quisesse ficar. Que ele permanecesse para sempre comigo, porque era com ele que eu sonhava em ser feliz, era ao lado dele que eu planejava ficar velhinha. Era por ele que eu tinha vontade de lutar, de crescer, de ir além do que era possível.
Porque era com o amor dele que cessariam as minhas dores, era com ele que eu sairia de casa, que acabariam os desaforos, os insultos, não viveria mais essa tragédia de vida. Eu só seria feliz, feliz e feliz com ele, sempre, sempre e sempre.
Hoje eu me aperto pra ver se a dor passa ou ameniza, me abraço na carência do seu abraço e choro pra colocar pra fora a falta que ele me faz. No intuito de um dia, acordar e sentir que passou, que não dói mais, que já não pertenço mais a dor. Que já consigo respirar sem ajuda de aparelhos. Que já consigo viver sem ele, o meu amor, meu idiota, meu...
Priscila Calheiros

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