Meu pai bebia muito, ficava bêbado, incomodava um,
incomodava outro, ninguém agüentava mais. Por conta própria resolveu se
internar em uma clínica para dependentes químicos, mesmo com o diagnóstico de
um profissional dizendo que ele é um bebedor compulsivo e não alcoólatra. Ficou
mais tempo do que era necessário, por conta própria. Aprendeu sobre as doenças
(alcoolismo e outras dependências), trabalhou, aprendeu a forrar a cama, e etc.
Hoje, graças a Deus e ao seu esforço ele não ingere mais bebidas alcoólicas.
Contudo, ele substituiu o álcool por Coca Cola Zero, e bebe em grande
quantidade. E sempre que estou com ele à queixa é a mesma: as pessoas reclamam
que ele bebe muito refrigerante, e faz mal, e contém mais doce que a Coca
normal, e blá blá blá. Agora, me diga, qual é o pior? Ele ser um bêbado, chato,
inconveniente, ou ele estar sem beber e tomar a Coca Cola dele, sem perturbar
ninguém? Sinceramente, eu acho que além do dinheiro ser dele e ele PODER FAZER
O QUE BEM ENTENDER COM O PRÓPRIO, ele deve ser reconhecido por conseguir
superar sua compulsão, na linha do “SÓ POR HOJE FUNCIONA”, vencendo um dia de
cada vez, preservando sua saúde, seu psicológico e me alegrando cada dia mais.
Infelizmente, o ser humano está mal acostumado a se preocupar mais em tomar
conta da vida dos outros e achar defeitos e erros do que reconhecer as
superações e alegrias que o outro traz consigo.
Eu dou todo apoio ao meu pai, e faço questão de o ver
tomando Coca Cola Zero! No fim, ele não vai cair bêbado, não vai se machucar nem
passar mal, não vai fazer nada daquelas coisas que já me deixaram triste um
dia. Ele simplesmente vai me contar mais uma história engraçada e me fazer rir.
Vai ser simplesmente ele mesmo, o meu pai.
Priscila Calheiros
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