domingo, 10 de fevereiro de 2013

[+] A legitimidade da boa saudade.


Outro dia eu cá conversando com meus botões, estava pensando nessas coisas de saudade. Saudade da família, dos amigos, da infância, dos amores. Existe muita coisa ruim no mundo, mas vamos combinar que não ter quem a gente gosta por perto é cruel. Mas às vezes, saudade se confunde com hábito. Infelizmente há pessoas que se acostumam em ter aquele alguém do lado, por pura comodidade e na maioria das vezes, se limita a existir e não viver.
Porém, há realmente aqueles que sentem falta de um abraço, de uma palavra amiga, de um carinho. Eu estou no meio dessas pessoas. Reduzindo ainda mais esse grupo, eu estou naquele que quer ficar perto, sempre. Que quando fica longe chora, sente aquela dor insuportável de uma espera desconcertante. Eu sou daquelas que por gostarem tanto, acabam sendo egoístas, porque quem ama mesmo e/ou gosta, deixa o outro livre para que, se ele for, tenha motivos para voltar. Eu quero ficar perto. Muito perto.
Olhando minhas relações, eu encontro o que seja talvez o motivo de tanto apego. Eu vivo perdendo as pessoas que eu amo. Pra vida ou pra morte. Perdi minha vó e um amigo muito importante pra morte. Pra vida, perdi alguns amigos, alguns amores. E perdi coisas materiais, e sentimentais também. Com o tempo a gente perde até os sentimentos! A vida me mostrou que algumas pessoas a gente perde, outras, a gente se livra mesmo. Mas de tudo se deve tirar uma lição. Cada um, mesmo aqueles de quem nos livramos, deixam um pouco de si conosco.
E mesmo que a gente se magoe, a gente olha pra trás com saudade. Não estou falando de saudosismo, odeio saudosismo! Estou falando de saudade, dos cheiros, dos beijos, das risadas, dos codinomes, das flores, das brigas idiotas, das conversas sem nexo, do estado civil que era mudado a cada novo cantor ou ator lindo que aparecia. Saudade de quando tinha a companhia de pessoas incríveis que hoje moram longe, como meu amado Alfredo, das minhas amigas de infância, do tempo extenso que eu tinha com cada uma delas para fazer nada. Quanta saudade cabe em mim!
Eu sei que mesmo que algumas pessoas voltassem não seria a mesma coisa, Lulu Santos já cantava ‘Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia [...]’. As pessoas mudam, os trechos que a vida nos leva nem sempre são os melhores, amadurecemos, erramos e acertamos e isso nos faz mudar e crescer.
De qualquer forma, eu sou feliz, porque quem tem saudade é porque viveu e tem do quê se lembrar e do que sentir falta. Vivam as boas lembranças e a felicidade dos bons momentos.


Priscila Calheiros.

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