Outro dia eu cá conversando com meus botões, estava pensando
nessas coisas de saudade. Saudade da família, dos amigos, da infância, dos
amores. Existe muita coisa ruim no mundo, mas vamos combinar que não ter quem a
gente gosta por perto é cruel. Mas às vezes, saudade se confunde com hábito.
Infelizmente há pessoas que se acostumam em ter aquele alguém do lado, por pura
comodidade e na maioria das vezes, se limita a existir e não viver.
Porém, há realmente aqueles que sentem falta de um abraço,
de uma palavra amiga, de um carinho. Eu estou no meio dessas pessoas. Reduzindo
ainda mais esse grupo, eu estou naquele que quer ficar perto, sempre. Que
quando fica longe chora, sente aquela dor insuportável de uma espera desconcertante.
Eu sou daquelas que por gostarem tanto, acabam sendo egoístas, porque quem ama
mesmo e/ou gosta, deixa o outro livre para que, se ele for, tenha motivos para
voltar. Eu quero ficar perto. Muito perto.
Olhando minhas relações, eu encontro o que seja talvez o
motivo de tanto apego. Eu vivo perdendo as pessoas que eu amo. Pra vida ou pra
morte. Perdi minha vó e um amigo muito importante pra morte. Pra vida, perdi
alguns amigos, alguns amores. E perdi coisas materiais, e sentimentais também.
Com o tempo a gente perde até os sentimentos! A vida me mostrou que algumas
pessoas a gente perde, outras, a gente se livra mesmo. Mas de tudo se deve
tirar uma lição. Cada um, mesmo aqueles de quem nos livramos, deixam um pouco
de si conosco.
E mesmo que a gente se magoe, a gente olha pra trás com
saudade. Não estou falando de saudosismo, odeio saudosismo! Estou falando de
saudade, dos cheiros, dos beijos, das risadas, dos codinomes, das flores, das
brigas idiotas, das conversas sem nexo, do estado civil que era mudado a cada
novo cantor ou ator lindo que aparecia. Saudade de quando tinha a companhia de
pessoas incríveis que hoje moram longe, como meu amado Alfredo, das minhas
amigas de infância, do tempo extenso que eu tinha com cada uma delas para fazer
nada. Quanta saudade cabe em mim!
Eu sei que mesmo que algumas pessoas voltassem não seria a
mesma coisa, Lulu Santos já cantava ‘Nada do que foi será de novo do jeito que
já foi um dia [...]’. As pessoas mudam, os trechos que a vida nos leva nem
sempre são os melhores, amadurecemos, erramos e acertamos e isso nos faz mudar
e crescer.
De qualquer forma, eu sou feliz, porque quem tem saudade é
porque viveu e tem do quê se lembrar e do que sentir falta. Vivam as boas
lembranças e a felicidade dos bons momentos.
Priscila Calheiros.
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