domingo, 24 de maio de 2020

Se permita sentir

Infelizmente, nós, seres humanos, temos uma tendência a reprimir sentimentos, sejam eles bons ou ruins.
Desde pequenos somos condicionados a maneirar o volume do choro, não chorar em público, o choro em si é incansavelmente questionado, sentir saudade muitas vezes é sinal de fraqueza, expressar sentimentos por alguém é papel de besta.
Desde o "engole o choro" depois de apanhar, até o "não fique assim" após perder alguém (pra vida ou pra morte) ou numa depressão. Em resumo, não podemos sentir.
Tem que ser forte, tem que segurar a barra, tem que ser super herói ou super heroína. Não temos um segundo de paz para sermos os seres humanos que, de fato, somos.
Mas, avaliando a origem disso, podemos nos dar conta de que essa limitação ao sentir nos é devidamente ensinado por quem vem antes de nós.
Pessoas que, por sua vez, também foram podadas no sentir. Uma bola de neve de repressão do ser e do sentir que nos faz pensar sermos robôs, ao invés de humanos.
Sim, é assim que uma pessoa tende a ser com tantos nãos e mais nãos.
Alguém te desautoriza a sentir e vamos acumulando dores, sensações, sentimentos, vida dentro de nós.
Então, lembre-se que você pode sentir. Você pode chorar. Você pode amar. Você pode exercer a sua principal função na vida que é ser um ser humano. Você pode!
Eles não precisam entender, aceitar, estar com você nisso. Esse é um processo único e exclusivamente seu.
Se permita sentir. Se permita ser.

Priscila Calheiros



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