sábado, 14 de fevereiro de 2015

[+] Sobre ser mãe: Meu sonho, meu milagre, minha herança.

Esses dias estive pensando em um dos meus maiores sonhos: ser mãe. Mas não foi sempre assim. Quando mais nova eu dizia que quando fizesse 18 anos tiraria o útero. Não teria filhos para que eles não passassem pelas mesmas coisas que passei, não teria paciência, não queria engordar ou ter que abrir mão de qualquer coisa por alguém. Uma bela egoísta que eu era.
Mas, durante a adolescência, comecei a sonhar com uma menina. Engraçado que mesmo abominando a ideia de ter um filho, desde sempre eu soube que teria uma menina. Sonhava que tinha acabado de tê-la, ou que a estava embalando para que dormisse. E outros sonhos que não lembro mais. Eu sempre acordava com uma sensação de amor, de carinho, e até mesmo com os braços na posição que tinha sonhado segurando ela. Uma menina branquinha com os cabelos pretos. Minha menina.
Aos 17 (um ano antes da teórica retirada do útero) eu já queria esse filho. Não sabia como e nem porque, mas eu queria. Claro que de menor e dependendo 100% dos meus pais isso não era possível. Ficava apenas nos sonhos mesmo.
O tempo foi passando e isso se tornou mais forte, latente, algo que eu realmente não conseguia mais controlar. Chegava ao ponto de ficar admirando as crianças que passavam pela rua. Como eu queria ter um bebê só meu! Mas como? Precisava no mínimo de um pai. Tarefa difícil.
Houve uma época onde tinha a certeza de ter encontrado o pai dos meus filhos. Fiz planos e estava pronta para que quando me formasse, tivesse meu filho. Mas foi apenas uma desilusão em minha vida. Só alguém que veio para brincar com meus sentimentos e meus sonhos. Daí fui tentando desconstruir a ideia de ter um filho. Não foi fácil, tanto que não consegui.
Hoje não tento mais desistir disso, se terei filhos ou não só vou saber mais tarde. O que sei é que tem um amor tão grande dentro de mim reservado pra essa criança que ainda nem existe, que eu acho que o universo deveria começar a conspirar a favor.
Por mais que eu tenha sobrinhos que amo muito, muito, muito, eu preciso ter a minha criança, que não vai embora no fim do dia ou no fim das férias. Vai ser minha. Me chamar de mamãe, vai precisar de mim, vai me amar, me olhar como se eu fosse o cristal mais precioso que existe.
Eu vou cuidar e amar, amamentar, proteger e ensinar. Vou ter alguém pra chamar de meu. E vou sentir aquela dor insuportável quando tiver que deixar ir. Provavelmente vai puxar a mim e querer ir embora, lógico. Mas eu vou ter a certeza que vai colocar em prática tudo que eu tiver ensinado.
Talvez demore, talvez nunca aconteça, talvez seja em breve, eu não sei. Mas eu espero. Como o noivo espera pela noiva no altar,como esperamos o bolo sair do forno, como as crianças esperam pelo presente do dia das crianças. Eu sei que eu nasci pra esperar por você, meu menino, minha menina. Mamãe ta aqui só guardando esse amor todo pra você (s).
Eu sinceramente não entendo como tem "mães" que doam seus filhos, que os jogam no lixo, que os odeiam. E as que abortam? Matam seus próprios filhos com a justificativa de que não tem problema pois ainda não estavam formados. Ou os matam formados mesmo. Como pode? Enquanto isso, muitas mulheres fazem anos de tratamentos para poder engravidar. Pessoas como eu cheias de amor para dar. Mundo injusto esse mundo. E por isso, também pretendo adotar. Tem amor pra todo mundo!
Tenho pedido a Deus todos os dias para que eu aprenda a esperar. Nada é no meu tempo, mas no tempo dEle. E dói. Esperar, dói! Porém, é o que posso fazer. Não sei quem será o pai, nem quantos anos terei, nem se será mesmo menina, só sei que amarei mais do que me amo.
Estou pronta, te esperando.
Meu sonho, meu milagre, minha herança.

Priscila Calheiros

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