AZAR AMOROSO
Há dois anos, um amigo conheceu o amor de sua vida em
Gramado, num Congresso de Medicina. Ficaram juntos de noite - a noite foi
linda, romântica, precisa, perfeita. Deu tudo certo: química, literatura,
matemática, geografia, física e história. Gabaritaram a prova da paixão. Ele
saiu de madrugada quando ela ainda dormia. Tinha que trabalhar cedo em hospital
de Porto Alegre. Deixou uma longa carta na recepção do hotel afirmando que sua
busca havia terminado e ela era a mulher que gostaria de passar o resto dos
seus dias. Deixou por escrito o desafio: - Se você sente o mesmo, telefone
correndo para mim.
Ela nunca telefonou.
Eles se encontraram casualmente na última semana.
Depois do abraço, envergonhado, ele perguntou:
- Não me quis, né?
Ela respondeu à queima-roupa:
- Eu? Tá Louco? Eu queria, mas você sumiu sem
notícias.
O cara descobriu que a recepção do hotel não
entregou a carta. A mulher pensou que ele era um canalha, que apenas desejava
curtir e que abandonou a cama de fininho para fugir de qualquer compromisso.
A recepção do hotel estragou o romance dos dois.
Não confie em recepção de hotel. Não confie também na casualidade. Se você ama
alguém, use todos os sinais de reforço: telefone, grite, esperneie. Tire a
teima. Melhor ser chato do que enganado pelo azar. A insistência é a nossa
maior confidente. Nem sempre o destino ajuda o amor, temos que ajudar o
destino.
Carpinejar
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