Sou uma pessoa muito humana, sabe? Me preocupo demais com a
situação do mundo, tenho pena das crianças que moram nas ruas, das pessoas que
morrem de fome, dos bichinhos que são maltratados, etc. Eu sofro pelos outros,
me dedico, ajudo quando posso e tento fazer em mim as mudanças que eu gostaria
de ver no mundo. Mas, ultimamente, tenho me perguntado se realmente devo me
preocupar tanto com coisas externas e esquecer que aqui dentro de mim, se
despedaça um coração.
Acho que até mesmo esse lance de humanidade tem limite! Você
faz pelos outros e, na maioria das vezes, só recebe ingratidão e traição em
troca. Claro que não se deve fazer nada esperando algo em troca, mas o mínimo
que a gente pode fazer por alguém que nos ajuda é ser grato. Pra mim, é uma das
maiores virtudes que o ser humano pode ter. E infelizmente isso tem me feito
fazer questionamentos sobre a maneira como ando me comportando com determinadas
pessoas. Como estou me magoando em relações falidas e que eu insisto em
cultivar, sempre saindo machucada e ferida.
Sou aquela pessoa que está aqui sempre, que escuta, que
aconselha, que ajuda de uma maneira ou de outra, e que no fim das contas,
recebe meia dúzia de gratidão. Mas eu estou cansada, de saco cheio, como se
diz, de esperar que as pessoas mudem e que evoluam, que tentem ser melhores.
Porque elas não serão, nem ao menos tentarão. As pessoas em sua maioria se
acostumaram a ser ingratas, perderam aquela essência do “muito obrigado”,
gratidão hoje é raridade. Grande parte dos seres humanos acha que o mundo gira
ao seu redor e todos têm obrigação de estar à disposição. É um texto crítico
sim, mas além de crítico é necessário, é o meu desabafo. Não estou dizendo que
sou melhor que os outros nem nada disso, só estou dizendo que é sempre bom
ouvir um “obrigado”, “pode contar comigo também”, “se precisar estou aqui!”. É
bom mesmo. Enfim, eu sei que não vou mudar o mundo, mas eu preciso mudar o meu
eu pra pelo menos, não sair tão magoada das situações e sem acreditar que vale
à pena lutar por dias melhores.
Priscila Calheiros
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