Ok. Eu gosto dele. Isso eu já entendi, mas como dizer isso?
O medo não é dizer o que eu sinto, o medo é ouvir um “eu gosto de você como
amiga”. E se eu falar e a amizade acabar? Ou pior, ficar aquele clima estranho
entre nós? Eu me recuso a passar por isso. Fico calada e guardo pra mim. Mas é
difícil, porque quando recebo uma mensagem de manhã já imagino que é ele me
desejando bom dia, e quando ele me convida pra sair, fico nervosa porque não
sei como agir quando estou ao lado dele. E os dias passam, e a vergonha
aumenta. E eu tento não falar, me esconder, mas eu gosto tanto dele que é
difícil me manter longe. E no fundo eu sei que ele ama outra, e essa outra ama
outro. É um ciclo sofredor que parece até novela.
Mas somos de carne e osso, e a gente sente , fica magoado. E
cria expectativas, e sonha, e imagina. Mas fica só nisso. Às vezes parece que
eu sou importante pra ele, que ele tem um cuidado a mais comigo, mas é ilusão.
Aí o que me resta é olhar as fotos, lê as mensagens e
responder como a amiguinha que ele me considera, ver as publicações nas redes
sociais, e aceitar o fato de que eu gosto dele, não ele de mim. Continuar vivendo
até que isso passe, ou até que isso dure o tempo que tiver que durar. É continuar
esperando que ele me olhe com outros olhos, pensar nele antes de dormir e pedir
a Deus que cuide dele por mim. Porque, de fato, a vida segue seu curso, me
favorecendo ou não.
*Palavras de uma borboleta sem asas.
Priscila Calheiros.
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